A Galeria dos Magistrais não se ocupa do efêmero — ela reconhece o que permanece.
Em um tempo inclinado à velocidade e à superficialidade, escolher um nome para figurar neste espaço é, antes de tudo, um gesto de responsabilidade: é afirmar, com clareza, quais trajetórias merecem ser lembradas não apenas pelo que realizaram, mas pelo que significam.
É sob esse rigor que anunciamos o médico dermatologista Luiz Alberto Fonseca de Lima como laureado deste mês na Galeria Magistral.

Há trajetórias que não apenas atravessam o tempo — elas o qualificam.
A vida profissional do médico dermatologista Luiz Alberto Fonseca de Lima não se limita à contagem de anos; ela se inscreve como uma narrativa de dedicação contínua, em que ciência, sensibilidade e humanidade caminham lado a lado, quase como se fossem uma só coisa.
No compasso apressado dos dias que nos atravessam, bastam poucos instantes ao lado desse raro curador para que o próprio tempo, tão soberano, se curve — rendido à delicadeza de sua presença.
Nele, o tempo se fragmenta…
Luiz Alberto é serenidade em estado puro, que nos conduz além da ideia de eternidade; é pausa, é travessia, é a quietude que nos ensina a existir para além do fim.
Ele é presença em um mundo onde a regra, tantas vezes, é a ausência; é presença que acalma, é horizonte que se abre para além daquilo que ousamos chamar de eterno.
“Ser médico é, antes de tudo, um ato de responsabilidade diante da fragilidade humana”, advertia o psiquiatra e pensador existencialista Viktor Frankl, ao refletir sobre o sentido do cuidar.
É justamente esse sentido que se revela, com rara nitidez, nos 48 anos de exercício da Dermatologia por Luiz Alberto — não como rotina, mas como vocação reiterada, escolhida dia após dia, paciente após paciente.
Formado pela Universidade Federal de Alagoas, com especialização e residência em instituições de excelência no Rio de Janeiro, construiu uma carreira que articula conhecimento técnico sólido e uma sensibilidade clínica que não se ensina em manuais.
Professor Titular aposentado da disciplina de Dermatologia da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), é sócio efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), além de membro da Academia Alagoana de Medicina.
Ao contrário do automatismo crescente da medicina contemporânea, preserva o gesto quase artesanal de registrar seus atendimentos em fichas de papel — como quem, silenciosamente, resiste à pressa e reafirma que cada paciente é uma história irrepetível.
O filósofo Martin Heidegger ponderava que “cuidar é a estrutura fundamental do ser-no-mundo”. Nesse sentido, Luiz Alberto não apenas exerce a Dermatologia — ele a habita.
Sua prática transcende a superfície da pele e alcança aquilo que nela se manifesta: o sofrimento, a autoestima, o silêncio das dores que, muitas vezes, não encontram palavras.
Autor de obras científicas consagradas e professor, não apenas acumulou conhecimento — ele o compartilhou, multiplicou, semeou. Em cada aluno, em cada orientação, há um fragmento de sua ética e de sua disciplina, perpetuando um legado que ultrapassa consultórios e salas de aula.

E, no entanto, como toda grande trajetória, há também o contraponto: o refúgio sereno de seu recanto rural em Alagoas.
Ali, longe das urgências da cidade, parece ecoar o pensamento de Albert Camus, que afirmava: “No meio do inverno, aprendi finalmente que havia em mim um verão invencível”. Talvez seja nesse espaço bucólico que o médico reencontre esse verão — a fonte silenciosa de sua longevidade profissional e emocional.
A Galeria dos Magistrais, ao reconhecer Luiz Alberto Fonseca de Lima, não apenas celebra um nome — evidencia um paradigma: o de um homem que afirma, pela própria vida, que excelência não é um feito pontual, mas uma construção paciente; que ética não é discurso, mas prática reiterada; e que a Medicina, quando exercida em sua plenitude, é menos sobre curar doenças e mais sobre cuidar de pessoas.
Para as futuras gerações de médicos, sua trajetória não deve ser apenas admirada — deve ser interrogada, compreendida e, sobretudo, continuada. Porque, como bem sugeriu o médico e humanista William Osler, “o bom médico trata a doença; o grande médico trata o paciente que tem a doença”.
Luiz Alberto Fonseca de Lima pertence, sem hesitação, àqueles que não apenas exercem a Medicina — mas a dignificam.



Dr Luiz Alberto é um exemplo de profissional.