
Os recentes casos envolvendo violência dentro autoridades públicas, a exemplo de Donal Trump e Charles Kirk, tiveram um impacto ainda difícil de ser compreendido – repercutindo não apenas nos Estados Unidos, mas até no Brasil, incluindo imitadores dos americanos que copiaram as postagens celebrando este horrendo crime.
Sobre os episódios, emergem reflexões acerca do extremismo, da intolerância e da completa falta de racionalidade que tem impregnado o debate público mundial.
O extremismo nasce, muitas vezes, de um desejo humano legítimo por sentido e ordem, mas, quando se absolutiza uma ideia, abre-se espaço para a intolerância. A razão cede lugar à paixão desmedida, e a convivência se torna impossível.
Como advertiu Hannah Arendt, “o mal radical não é cometido por monstros, mas por homens comuns que renunciam ao pensamento crítico” — a irracionalidade, aqui, é o terreno fértil para a violência simbólica ou física.
Para Karl Popper, “a tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância” (A Sociedade Aberta e Seus Inimigos).
Essa observação mostra que não basta ser tolerante; é preciso ser crítico para não tolerar justamente aquilo que destrói a possibilidade do diálogo.
Albert Camus, por sua vez, lembrava em O Homem Revoltado que “a verdadeira revolta recusa o assassinato” — isto é, a busca por justiça ou verdade não deve se converter em negação do outro.
Nesse sentido, extremismo, intolerância e irracionalidade não são apenas problemas políticos, mas também existenciais: eles mostram a dificuldade humana de equilibrar convicção com lucidez.
Reconhecer a falibilidade das próprias crenças é um ato de humildade intelectual e uma condição para a vida em comum.
Que os extremos racionalizem e caminhem ao centro em prol do ponto de equilíbrio e convergência necessários à boa, saudável e almejada convivência e harmonia social.


