Após atingir recordes históricos entre julho e outubro de 2025, o valor da criptomoeda Bitcoin registra queda constante desde novembro, conforme diagnóstico do Jornalista Jean- Baptiste Breen.

Jean-Baptiste Breen é um jornalista francês baseado em Paris, atuando no serviço web (pólo de conteúdo) da RFI (Radio France Internationale) desde setembro de 2025, focado em análises, retratos e decodificações.
Em seu estudo, ele aponta que “o valor caiu pela metade. Em apenas quatro meses, a cotação do Bitcoin despencou de US$ 122.000 para US$ 61.000, em 6 de fevereiro. O retorno de Donald Trump à Casa Branca impulsionou a mais famosa criptomoeda, mas ela já perdeu quase todo o valor que ganhou desde a volta do bilionário à presidência dos Estados Unidos”, pontuou o estudioso.
Especialistas ouvidos por ele analisaram se o revés para os investidores é temporário ou se a perda de confiança no ativo veio para ficar.
Desde novembro, a queda constante do Bitcoin reacende uma antiga tensão filosófica: o valor é algo intrínseco ou uma construção coletiva sustentada pela confiança?
Se o Bitcoin sobreviver às quedas, aos ciclos de euforia e pânico, poderá emergir mais sólido, depurado de excessos especulativos e mais alinhado à sua proposta original de reserva descentralizada de valor. Crises funcionam como filtros: afastam aventureiros e testam convicções.
A volatilidade da criptomoeda expõe, com crueza, que todo ativo financeiro repousa sobre expectativas, narrativas e crenças compartilhadas. Quando o preço cai, não desaba apenas um gráfico — vacila a fé de seus investidores e se reabre o debate sobre sua legitimidade econômica.
Friedrich Hayek lembrava que “o mercado é uma ordem espontânea”, resultado das interações humanas e da informação dispersa. O Bitcoin, nesse sentido, é expressão radical dessa ordem: descentralizado, algorítmico, independente de Estados. Contudo, a mesma liberdade que o fortalece também o torna vulnerável às oscilações emocionais do mercado. A queda prolongada corrói a credibilidade do ativo, sobretudo para investidores que confundiram inovação tecnológica com garantia de valorização contínua.
John Maynard Keynes advertia que “os mercados podem permanecer irracionais por mais tempo do que você pode permanecer solvente”.
A advertência ecoa no cenário atual: movimentos especulativos, alavancagens excessivas e decisões movidas pelo medo amplificam perdas e pressionam a confiança sistêmica. Para muitos investidores, a retração representa não apenas prejuízo financeiro, mas crise de sentido — a frustração de expectativas quase messiânicas depositadas em uma moeda digital vista como refúgio absoluto contra a inflação e as fragilidades estatais.
Ainda assim, como ensinou Nassim Nicholas Taleb, “o antifrágil se beneficia do caos”.
Se o Bitcoin sobreviver às quedas, aos ciclos de euforia e pânico, poderá emergir mais sólido, depurado de excessos especulativos e mais alinhado à sua proposta original de reserva descentralizada de valor. Crises funcionam como filtros: afastam aventureiros e testam convicções.
Para a economia global, a retração do Bitcoin reduz temporariamente seu poder de influência sistêmica, mas não elimina a discussão sobre digitalização monetária, soberania financeira e descentralização. O valor do ativo, portanto, não se mede apenas pelo preço atual, mas pela capacidade de sustentar confiança no longo prazo.
Investir — em Bitcoin ou em qualquer ativo — é, antes de tudo, um ato existencial: escolher acreditar em determinada visão de futuro.
A queda pode ser ruína ou maturação.
Entre o medo e a razão, permanece a pergunta essencial: estamos especulando por ganância ou construindo por convicção? É dessa resposta que nascerá não apenas a recuperação de um ativo, mas a maturidade de seus investidores.


