
Por Ana Luísa Mendes
Vivemos em tempos de afetos cautelosos. “Ganha” quem demonstra menos, quem finge que não se importa ou quem pisa no freio antes de qualquer sentimento tomar conta.
Mas para quem tem a teimosia de sentir a vida de forma profunda, essa matemática de proteção simplesmente não fecha. E é nessas horas que a gente precisa fechar os olhos e voltar aos nossos clássicos.
Quando escutamos as grandes vozes da MPB, a primeira coisa que fica clara é que eles não tinham o menor medo do abismo. Eles faziam da entrega absoluta a sua maior obra de arte.
Vinicius de Moraes não prometia apenas tentar fazer dar certo, ele cravava, com todas as letras, “Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida”.
Cartola transformava a devoção e a saudade em uma poesia tão fina que doía bonito até em quem apenas escutava de longe.
Essa geração nos deixou um lembrete muito poderoso, amar não é para os mornos.
As canções que atravessam décadas e continuam arrepiando a nossa pele são aquelas que transbordam. Ninguém escreve versos viscerais cantados por Maria Bethânia ou desenha o infinito em clássicos como “Oceano”, do Djavan, sendo econômico com o coração.
A grandiosidade dessas músicas mora justamente na coragem de quem não tem vergonha de amar profundamente.No fundo, escutar essas poesias antigas é um abraço para quem sente muito.
É como encontrar um espelho sonoro que nos diz que a intensidade não é um defeito, mas um dom.
Em um mundo tão frio com tanta música composta sem sentimento verdadeiro, o MPB é um presente deixado para nós.A velha guarda da MPB nos ensina que a beleza mais crua da vida não está em tentar se blindar do amor, mas em ter a audácia de mergulhar de cabeça e, com sorte, deixar que sentimentos vire canção.
Ana Luisa Mendes é estudante de Ciências Contábeis e atua nas áreas de marketing digital e e-commerce, dedicando-se a entender as engrenagens do comportamento e do consumo na era conectada.Apaixonada por cruzar cultura e análise social, em “O Som das Ideias” ela investiga o impacto da música em nossas vidas, propondo uma escuta crítica e atenta aos movimentos do universo sonoro.
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Realmente, a impressão que tenho é que o Amor de hoje é mais superficial! Não é mais aquele sentimento que arrebatava os corações! Amo as músicas que falam de sentimentos profundos, MPB de verdade com conteúdo que toca nosso coração!!