Algo acontece quando os filhos alçam novos voos. É dor? Saudade? Orgulho? Medo? Que sentimento melhor definiria o vazio imenso que se instala no peito de uma mãe ao vê-los partir — porque se casaram, porque foram morar em outro estado a trabalho ou simplesmente porque decidiram ter a própria casa, a própria vida?

Por Simone Pontes *
Independentemente do motivo, a mãe sente. Chora. Sofre. E, muitas vezes, até adoece.
Foi o que uma amiga, Maria Clara, me confidenciou numa conversa informal que tivemos meses atrás. Ela começou assim:
“Meus filhos se casaram no mesmo ano e foram morar em outro estado. A saudade era imensa. Éramos, além de mãe e filhos, grandes companheiros e confidentes. A ausência foi tão abrupta que desenvolvi síndrome do pânico. Comecei a sentir falta de ar sempre que me deitava à noite para dormir ou quando saía de casa. A crise começava com a respiração ofegante, vinha um medo inexplicável de morrer e, logo depois, o choro. Eu não sabia que aquilo era sintoma da saudade. Só mais tarde compreendi que era ansiedade pela ausência deles — o que chamam de síndrome do ninho vazio.
Passei tanto tempo vivendo para os meus filhos que, quando eles saíram de perto de mim, foi como se minha vida perdesse o sentido. Eu me perguntava o tempo todo: o que vou fazer agora? Com quem vou conversar? Como serão os almoços, os cafés da manhã e os jantares sozinha? E aqueles momentos em que deitávamos todos na cama para contar as novidades do dia, nossas brincadeiras, nossas risadas? Parecia que tudo tinha deixado de existir.
Minha vida era viver a vida deles — e, de repente, era como se eu já não tivesse a minha. Perdi a alegria, a vontade de viver por mim. Foram dias difíceis. Até que amigos me aconselharam a procurar ajuda profissional. Busquei uma psicóloga e, após alguns meses de terapia, comecei a me reencontrar. Descobri a mim mesma. Entendi que todo o tempo dedicado a eles foi justamente para vê-los crescer — homens honestos, trabalhadores, exemplos de marido. E que havia chegado o momento de colocarem em prática tudo o que aprenderam.
Quanto a mim, quando o coração ficou mais leve e a compreensão veio, redescobri-me nas pequenas coisas. Como mulher. Como profissional. Passei a cuidar mais de mim. Retomei minha profissão, que por muitos anos havia deixado de lado para cuidar da casa e dos filhos. Hoje me sinto feliz e realizada — como mãe, empresária e esposa.
O aprendizado que tirei e compartilho com outras mães é que vivi a transição de um amor de presença para um amor de propósito cumprido. Criamos filhos para o mundo. O ninho fica vazio, mas o coração permanece cheio da certeza de que educamos para a liberdade. A dor da partida é o preço do amor que ensinou a voar.”
Depois de ouvir essa história tão emocionante, cheguei à conclusão de que, quando os filhos partem, não é o fim da nossa história — é o começo do reencontro conosco mesmas.
Por isso, mães, lembrem-se: criamos asas, não correntes. Eles seguem seus caminhos.
E nós redescobrimos o nosso.
Sobre a Autora: Simone Pontes é formada em Direito, Advogada, Administradora de Empresas e Mãe.
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