Em movimento que reposiciona o debate sobre o sistema político brasileiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articula uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para extinguir a reeleição ao cargo de presidente da República.

O texto prevê que a proibição também se aplique a quem assumir a Presidência nos seis meses que antecedem as eleições, mantendo, contudo, a possibilidade de recondução para governadores e prefeitos.
A proposta surge em meio às discussões sobre estabilidade institucional e foco administrativo, ao questionar se o atual modelo favorece ciclos curtos de planejamento e decisões condicionadas ao calendário eleitoral.
O argumento central é que a recondução imediata estimula um ambiente de campanha permanente, no qual decisões de governo podem ser influenciadas por cálculos eleitorais de curto prazo.
Limitar mandatos é reconhecer a transitoriedade como valor político — a compreensão de que servir é missão temporária, e que a renovação periódica é parte essencial da saúde republicana.
Para o senador, a reeleição cria um ambiente de disputa contínua que interfere na condução do governo.
A movimentação deve ampliar o embate entre defensores da alternância de poder como mecanismo de fortalecimento democrático e aqueles que veem na reeleição um instrumento legítimo de continuidade administrativa respaldada pelo voto popular.
Especialistas em ciência política defendem que a alternância de poder tende a fortalecer instituições e reduzir a personalização excessiva do cargo.
Para o cientista político Fernando Limongi, sistemas políticos mais estáveis são aqueles em que as regras do jogo reduzem incentivos à concentração prolongada de poder.
Já o jurista Luís Roberto Barroso tem destacado, em diferentes análises acadêmicas, que a democracia se robustece quando há equilíbrio entre continuidade administrativa e renovação política.
A própria teoria clássica sustenta esse princípio: Montesquieu advertia que “todo homem que tem poder é levado a abusar dele; vai até onde encontra limites”.
Nesse sentido, o fim da reeleição pode ser interpretado como mecanismo institucional de contenção e oxigenação democrática.
Mais do que uma mudança normativa, a alternância representa um gesto civilizatório: reafirma que o poder pertence às instituições e à sociedade, não a indivíduos.
Limitar mandatos é reconhecer a transitoriedade como valor político — a compreensão de que servir é missão temporária, e que a renovação periódica é parte essencial da saúde republicana.


