O Plenário do Senado aprovou o Projeto de Lei 13/2022, estabelecendo novas regras para o transporte aéreo de cães e gatos em voos domésticos.

A proposta determina que companhias aéreas passem a oferecer opções adequadas para o embarque de animais, contando com equipes treinadas para garantir segurança e bem-estar durante o trajeto.
Entre os principais pontos, o texto prevê que pets de até 50 kg poderão viajar na cabine ao lado do tutor, conforme regulamentação a ser definida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
As empresas também poderão ser responsabilizadas em casos de morte ou lesão dos animais sob sua custódia, além de serem obrigadas a adotar monitoramento e condições apropriadas de transporte.
O projeto mantém o direito já assegurado aos cães-guia de acompanhar seus tutores na cabine. Como sofreu alterações no Senado, o texto retorna agora à Câmara dos Deputados para nova análise.
Transportar um animal ao lado de um ser humano é, antes de tudo, um encontro entre instintos distintos confinados no mesmo espaço — um pacto silencioso entre o controle humano e a imprevisibilidade da vida.
O que, à primeira vista, parece apenas um gesto de afeto — levar o pet para perto — pode rapidamente se transformar em um campo de tensões fisiológicas, comportamentais e sanitárias.
Veterinários costumam alertar que o estresse é o principal inimigo invisível nessas situações. “O animal não compreende o contexto da viagem; ele reage ao ambiente, aos ruídos, à pressão e à ausência de referências familiares”, afirma a médica veterinária Dra. Carla Menezes.
Sob estresse, cães e gatos podem apresentar taquicardia, desidratação, vocalizações intensas e até comportamentos agressivos — não por maldade, mas por medo, esse velho arquiteto das reações primárias.
Do ponto de vista da segurança, o risco não é unilateral.
Especialistas em segurança operacional observam que um animal solto ou mal acondicionado pode interferir em procedimentos críticos, sobretudo em ambientes como aeronaves.
“Segurança não é ausência de afeto, é organização do afeto”, ironiza o analista Eduardo Vasconcelos.
Um animal em pânico pode morder, arranhar, fugir ou provocar distrações em momentos que exigem precisão absoluta.
Há ainda o delicado território das zoonoses e das reações alérgicas, lembrando que a convivência próxima, em espaços fechados, expõe humanos a pelos, secreções e possíveis patógenos.
O cuidado, portanto, deixa de ser apenas um gesto de carinho e passa a ser um exercício de responsabilidade coletiva.
No fundo, transportar um animal é aceitar que o amor, quando deslocado de seu habitat natural, exige técnica, preparo e limites.
Porque a linha entre o cuidado e o descuido é tênue — e, como frequentemente ocorre nas relações entre humanos e seus companheiros não humanos, o que salva não é a intenção, mas a consciência.


