Durante sessão ordinária realizada nesta quarta-feira (15), na Câmara Municipal de Maceió, o vereador Leonardo Dias (PL) criticou a desorganização no uso e na distribuição de patinetes elétricos da empresa Jet na capital.

O parlamentar apontou a ausência de regulamentação e fiscalização como fatores que têm contribuído para a desordem urbana.
Segundo Dias, os equipamentos vêm sendo deixados de forma irregular em calçadas, ciclovias e espaços públicos, comprometendo a mobilidade urbana.
Ele destacou, ainda, os impactos diretos para pedestres, especialmente pessoas com deficiência, que enfrentam dificuldades adicionais para transitar pela cidade.
O vereador alertou para a necessidade de regras claras e maior controle por parte do poder público.
A cidade, como já advertia o filósofo Aristóteles, “existe para viver bem” — e viver bem pressupõe ordem, medida e responsabilidade compartilhada.
O espaço público não é um território neutro: é um pacto silencioso entre desconhecidos, onde a liberdade de um só encontra seu limite na dignidade do outro.
Equipamentos urbanos como patinetes compartilhados surgem como promessa de mobilidade inteligente, sustentável e democrática.
No entanto, sem ordenamento, rapidamente deixam de ser solução para se tornarem sintoma — não do progresso, mas da negligência. O que deveria facilitar o deslocamento passa a obstruir caminhos; o que se apresenta como inovação converte-se, paradoxalmente, em obstáculo, sobretudo para aqueles que já enfrentam barreiras diárias, como pessoas com deficiência.
Hannah Arendt observava que o espaço público é o lugar onde a vida em comum se revela e se sustenta.
Quando esse espaço é capturado pelo improviso ou pela ausência de regras claras, instala-se uma espécie de anomia cotidiana — um estado em que ninguém assume, todos usam, e poucos respondem. O resultado não é liberdade, mas desordem disfarçada de conveniência.
Ordenar, portanto, não é cercear. É garantir que o uso seja possível, contínuo e justo.
É educar o cidadão para compreender que o bem público não é extensão do interesse privado, mas condição de existência coletiva. Sem regras, não há convivência; sem consciência, não há comunidade.
No fim, o verdadeiro avanço não está na tecnologia que se espalha pelas ruas, mas na maturidade com que uma sociedade decide utilizá-la.
Porque cidades não se medem pela quantidade de inovação que ostentam, mas pela qualidade de vida que conseguem, de fato, entregar.

