Três verbos que traduzem a dimensão, a profundidade e a sinergia dos sentimentos humanos contidos nas relações interpessoais.

E será justamente a combinação sinérgica de tais verbos que determinará os rumos e destinos de todo e qualquer modelo de interação social.
O “Gostar”, por exemplo, carece de grandes elocubrações etimológicas, trazendo em si um absoluto desprendimento moral e/ou sentimental acerca de eventual juízo de valor (pretérito, presente e/ou futuro) sobre determinada pessoa.
A pessoa simplesmente gosta e ponto, retratando e depositando uma genuína Fé instintiva.
Não carece de impressões espírito-transcendentais, simpatias e/ou afinidades ideológico-sociais, tampouco de digressões de ordem ético-filosóficas-existenciais, bastando-se em si mesmo.
Ao “Gostar”, não se requer grandes fórmulas existenciais para sua justificação: a pessoa encontra, percebe, olha, enxerga e simplesmente gosta! No popular cantado em versos musicais, “o nosso santo bateu (…) e o fim não precisa rimar”!
É um descompromissado lançar-se no desconhecido…
O autor alemão Johann Wolfgang Von Goethe é preciso (e necessário em tempos fluídos) : “O dever: gostar daquilo que prescrevemos a nós próprios”.
Sobre o “Confiar”, por outro lado, temos um hercúleo e desafiador processo etimológico e hermenêutico-exegético para tentar (frise-se: tentar) traduzir qual sentimento este verbo busca encampar.
Afinal, quem nunca se perdeu e/ou se machucou nos tortuosos caminhos de um Confiar?
Nas palavras do escritor sírio Públio Siro, “Quem perdeu a confiança não tem mais que perder”.
Ao gravitar com forte influência ao seu redor, palavras como Lealdade, Compromisso, Integridade inspiram, alimentam, norteiam e traduzem sentimentos tidos como essencialmente racionais e justificáveis, fruto de uma minuciosa ou aprofundada análise subjetiva pautada em experiências de ordem histórico-pessoais, positivas ou negativas, eivada de uma racionalidade muitas vezes artificializada e camuflada em aparências surreais, deturpando traquinamente nosso íntimo para justificar uma translúcida sensação a segurança de nossa tomada de decisão.
Seja por carência, seja por arrogância, entre esses extremos reside, em nosso íntimo, a capacidade de discernir acerca de uma realidade posta ao nosso alcance, em contraposição a uma realidade almejada e idealizada, induzindo nossas escolhas, pasme, em muitos casos, a uma auto cegueira deliberada.
Uma Fé racionalmente cega!
Tudo para atender frágeis caprichos emocionais ainda em fase de maturação e realização…e por mais hábil e ardiloso que seja o outro, o engano sempre estará em cada um de nós!
Por fim, o “Acreditar”.
No momento em que nos lançamos em direção ao desconhecido, compromissado com nosso ideal de Lealdade, Integridade e Compromisso, despertamos uma inabalável crença de que tudo é possível…
E passamos a acreditar!
“Acreditar” traduz um dinâmico confiar, na medida em que a pessoa busca arquitetar, planejar, promover, transformar, moldar tudo aquilo que reside em seu íntimo em algo real, concreto e palpável e em franca posição com suas mais legítimas e puras aspirações existenciais.
Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho – acredita Goethe – e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.
Acreditar é transformador; é inovador!
É a crença inabalável em uma frutificável Fé!
Evidentemente, a conjugação RECÍPROCA – destaque-se, – de um gostar, de um confiar e de um acreditar desperta e acende uma fagulha que expressa a máxima vívida vontade de realizações pessoais, despertando o que há de mais poderoso em cada um dos seres humanos envolvidos.
É o genuíno momento de perfeita simbiose, transformação e realização daquilo que comumente chamamos de Vida.
Por outro lado, isoladamente ou em par que seja (gostar + confiar; confiar +acreditar; gostar + acreditar), e principalmente sem a necessária reciprocidade, o único resultado obtido será um permanente sentimento de incompletude, de vazio, de vácuo emocional que tende a acompanhar-nos ao longo desta inevitável e incompreensível experiência existencial.
Nas palavras da escritora Cynthia Kersey, “Acredite em si e chegará um dia em que os outros não terão outra escolha senão acreditar com você”.


