O presidente do Consórcio Nordeste, Governador Paulo Dantas, do MDB de Alagoas, esteve no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, para defender a cidade de Fortaleza (CE) como sede da 18ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, a COP18, prevista para 2028.

A iniciativa foi apresentada a pedido do governador do Ceará, Elmano de Freitas, do PT, que articula para que a capital cearense seja indicada como cidade anfitriã do evento.
A COP da Desertificação é um dos principais fóruns multilaterais voltados ao enfrentamento da degradação do solo, ao combate à seca e à adaptação às mudanças climáticas.
Segundo informações prestadas pela ASCOM Consórcio Nordeste, “Vinculado à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, criada a partir da Conferência Rio-92, o encontro (COP da Desertificação) reúne chefes de Estado, diplomatas e especialistas para discutir políticas de recuperação de áreas degradadas, segurança alimentar e redução da pobreza em regiões áridas e semiáridas. O Brasil participou da criação da Convenção, sediou a COP3, em Recife, em 1999, e instituiu a Política Nacional de Combate à Desertificação por meio da Lei nº 13.153, de 2015″.
O combate à desertificação não é apenas uma agenda ambiental; é, sobretudo, uma estratégia estruturante de desenvolvimento econômico e social.
Transformar áreas degradadas em territórios férteis é mais do que recuperar paisagens: é reconstruir perspectivas, fortalecer economias locais e reafirmar que desenvolvimento verdadeiro nasce do equilíbrio entre prosperidade humana e sustentabilidade ambiental.
Em regiões vulneráveis — como amplas áreas do semiárido brasileiro — a degradação do solo compromete a produtividade agrícola, amplia a insegurança alimentar, intensifica fluxos migratórios e aprofunda desigualdades históricas. Enfrentar esse fenômeno, portanto, significa intervir no cerne da pobreza rural e da exclusão territorial.
A desertificação resulta da combinação entre fatores climáticos e práticas inadequadas de uso da terra: desmatamento, sobrepastoreio, manejo ineficiente da água e monoculturas extensivas.
Quando o solo perde fertilidade e capacidade de retenção hídrica, a economia local perde dinamismo.
Como advertia Amartya Sen, “o desenvolvimento consiste na expansão das liberdades reais das pessoas”. Terra degradada restringe liberdades: limita renda, restringe escolhas e perpetua vulnerabilidades.
Recuperar o solo é, nesse sentido, ampliar capacidades humanas.
Políticas públicas eficazes de combate à desertificação exigem abordagem integrada.
Não basta distribuir insumos; é necessário investir em assistência técnica contínua, educação ambiental, crédito orientado, tecnologias sociais de convivência com o semiárido (cisternas, barragens subterrâneas, sistemas agroflorestais) e regularização fundiária.
A experiência internacional mostra que programas de restauração produtiva — como sistemas agroecológicos e reflorestamento com espécies nativas — geram emprego, aumentam a resiliência climática e fortalecem cadeias locais de valor.
Há também uma dimensão macroeconômica.
A degradação ambiental impõe custos crescentes ao Estado: perda de arrecadação, pressão sobre sistemas urbanos, gastos emergenciais com seca e assistência social.
Ignacy Sachs defendia que o desenvolvimento deve ser “economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente prudente”. Combater a desertificação materializa essa tríade: preserva ativos naturais, gera renda sustentável e reduz desigualdades regionais.
Além disso, a restauração de ecossistemas abre oportunidades estratégicas no contexto da economia verde. Mercados de crédito de carbono, bioeconomia, agricultura regenerativa e certificações ambientais podem inserir comunidades vulneráveis em cadeias globais mais sofisticadas, desde que haja governança, transparência e inclusão social. Não se trata de romantizar o campo, mas de reconhecer o solo como infraestrutura produtiva básica.
O enfrentamento da desertificação é, portanto, política de Estado.
Requer planejamento de longo prazo, integração federativa e participação comunitária. Onde o solo volta a produzir, a esperança se enraíza.
Transformar áreas degradadas em territórios férteis é mais do que recuperar paisagens: é reconstruir perspectivas, fortalecer economias locais e reafirmar que desenvolvimento verdadeiro nasce do equilíbrio entre prosperidade humana e sustentabilidade ambiental.


