
Por Ana Luisa Mendes | Coluna O Som das Ideias
Quando você coloca uma música para tocar, provavelmente acha que está apenas apreciando uma melodia. Mas na verdade vai muito além.
A música não entra só pelos ouvidos, ela invade o sistema nervoso, recalibra os batimentos cardíacos e altera diretamente a química da nossa mente. O som é física pura batendo de frente com a nossa biologia.
A neurociência chama um desses fenômenos de sincronização neural. Basicamente, o nosso cérebro tem a mania de ajustar as próprias ondas elétricas ao ritmo do que está tocando ao redor.
É por isso que uma batida acelerada nos deixa em estado de alerta (estimulando ondas Beta e Gama), enquanto um ritmo lento e frequências mais baixas funcionam como um freio de mão para a mente, induzindo o relaxamento.
Eu consigo ver isso na minha rotina. Dividindo meu tempo entre os cuidados com meu lar, estudos, trabalho, casamento, filhos, a cabeça muitas vezes ferve. O volume de informações é tão alto que o cortisol o famoso hormônio do estresse vai nas alturas em um mundo acelerado acredito que muitas pessoas se sintam assim. É nesses momentos que ela passa a ser o meu respiro, para colocar os pensamentos de volta no lugar.
Colocar os fones de ouvido com batidas bineurais, sons com frequências ligeiramente diferentes em cada ouvido que ajudam no foco ou buscar frequências mais amenas não é um luxo é um jeito de ‘hackear’ a própria ansiedade.
É forçar o cérebro a voltar para o eixo, estimulando a liberação de dopamina e serotonina em meio ao caos.
No meu artigo anterior, lembrei da provocação do artista Francisco Brennand de que a vida sem a música seria um exílio total.
A neurociência, no fim das contas, prova que ele estava certo, a música é um modulador biológico de sobrevivência tão poderoso que fica impossível conceber a nossa existência humana sem ela. É a nossa biologia nos resgatando do exílio diário.
Não é à toa que existem estudos inteiros dedicados ao impacto dos Hertz no nosso corpo.
Enquanto algumas frequências baixíssimas são usadas em filmes de terror para nos causar desconforto e medo sem que a gente perceba, a frequência de 432 Hz, por exemplo, é estudada por trazer uma sensação de estabilidade emocional e relaxamento muito maior do que o padrão comercial ao qual estamos acostumados.
No fim das contas, a música ativa quase todas as áreas do nosso cérebro, do sistema visual ao motor. Saber disso muda o jogo.
Filtrar o que entra na sua playlist deixou de ser só uma questão de bom gosto. É decidir, ativamente, qual química você quer circulando no seu corpo.
Afinal, tudo está intrinsecamente ligado a energia e vibração e ao escolher o que ouvimos, estamos, no fim sintonizando a frequência da nossa própria existência.
Sobre a Autora:
Ana Luisa Mendes é estudante de Ciências Contábeis e atua nas áreas de marketing digital e e-commerce, dedicando-se a entender as engrenagens do comportamento e do consumo na era conectada.
Apaixonada por cruzar cultura e análise social, em “O Som das Ideias” ela investiga o impacto da música em nossas vidas, propondo uma escuta crítica e atenta aos movimentos do universo sonoro.
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Esse artigo me fez ir muito além de gostar de música, me fez ver o impacto que ela faz na minha mente. Doravante,vou colocar na minha playlist músicas que me transmitam paz e tranquilidade! Parabéns por esse artigo tão esclarecedor!!