
Em muitas vidas, há um descompasso silencioso entre o sujeito e o tempo em que ele existe.
Alguns parecem viver como estrangeiros no próprio momento histórico, presos a padrões, valores ou afetos de épocas passadas, ou projetando-se apenas para um futuro idealizado.
Há pessoas plenamente conectadas ao seu tempo, pessoas e fatos que o permeiam; assim como há pessoas completamente desconectadas de tudo e todos.
Afinal, quem está conectado ou desconectado em relação a quem ou a o quê?
Viktor Frankl, ao refletir sobre o sentido da vida, observa que “o homem não inventa o sentido, mas o descobre nas circunstâncias concretas” — lembrando que cada instante da existência carrega um chamado específico.
Quando essa consciência se perde, instala-se um vazio, um sentimento de anacronismo interior.
Do ponto de vista comportamental, Albert Bandura ressalta a importância da “agência humana”, isto é, a capacidade de agir intencionalmente no contexto em que se vive.
Sem essa percepção, o indivíduo tende a repetir respostas automáticas ou esquemas herdados, incapaz de se posicionar frente às exigências do presente.
Erich Fromm, por sua vez, descreve que a alienação surge quando o ser humano se distancia de sua própria experiência e de sua historicidade, tornando-se um “espectador” de si mesmo.
Estar conectado ao próprio tempo, portanto, não é apenas acompanhar as mudanças externas, mas integrar passado, presente e futuro em uma narrativa que faça sentido para a própria vida.
É no encontro entre consciência, responsabilidade e ação que se pode superar essa desconexão e habitar o instante como possibilidade real de existir.
E, muitas vezes, não há falta de conexão: Apenas e tão somente, uma dada pessoa não está (ou as pessoas não estão) preparada para vivenciar a experiência de uma mútua compreensão existencial.
Tudo a seu Tempo…


