
Superproteger, para alguns, é sinônimo de amor e cuidado. Existe até um ditado que diz: “É melhor pecar pelo excesso do que pela falta.”
E assim vamos seguindo frases prontas, sem muitas vezes questionar de onde vieram, quem as disse ou quais resultados realmente trouxeram.
Mas a verdade é que todo excesso faz mal. Tudo na vida precisa de equilíbrio.
No momento em que você coloca alguém dentro de uma redoma, tentando protegê-lo de tudo, também o impede de viver novas experiências. E, sem experiências, não há crescimento. Não há amadurecimento — nem como ser humano, nem como profissional.
Então surge a dúvida: “E se essas experiências forem negativas?”
E eu te devolvo com outra pergunta: “E se forem positivas?”
Nunca saberemos se não permitirmos que a vida aconteça.
Dar liberdade é, muitas vezes, o maior ato de amor. As pessoas precisam trilhar seus próprios caminhos. Você pode acompanhar, orientar, estar presente — mas não pode viver por elas.
É preciso cair e levantar. Chorar e sorrir. Perder e conquistar. Errar e aprender. Porque é nesse processo que se constrói a força, a identidade e a maturidade.
Quem não vive essas experiências, em algum momento da vida, se sente perdido. Não evolui, não cresce — apenas existe.
O mais bonito da vida está justamente nas emoções: no frio na barriga, na conquista, na superação. E, embora a dor, a derrota e a tristeza não tragam felicidade, elas são essenciais para nos tornar mais fortes e conscientes.
A superproteção, ao contrário do que parece, não fortalece — enfraquece. Gera insegurança, medo e dependência. Faz com que a pessoa acredite que não é capaz, que nunca vai conseguir, que precisa sempre de alguém para dar o próximo passo.
E assim, ela não cresce, não constrói, não se desenvolve. Pode se tornar alguém sem ambições, sem projetos, frustrado e insatisfeito com a própria vida.
E então, lá na frente, surge a pergunta: “Onde foi que eu errei?”
E a resposta pode ser dura, mas necessária: no excesso de proteção.
Mas não se culpe. Todos nós erramos tentando acertar. Não podemos voltar atrás para mudar o passado, mas podemos aprender com ele e fazer diferente a partir de agora.
Amar é cuidar, sim — mas é também permitir. É orientar sem prender, é apoiar sem sufocar. Amor de verdade não aprisiona.
O ser humano superprotegido é como um pássaro dentro de uma gaiola: aparentemente seguro, mas privado daquilo que mais precisa — a liberdade de voar.
É na liberdade de ir e vir, de escolher e de assumir as consequências, que está a verdadeira beleza da vida.
Ninguém pode viver pelo outro.
E talvez seja por isso que a vida nos foi dada de forma tão única: para que cada um de nós seja responsável por sua própria história, seus próprios erros, aprendizados e conquistas.
Proteger é um ato de amor.
Mas libertar… é um ato de coragem.
Sobre a Autora:
Simone Pontes é formada em Direito, Advogada, Administradora de Empresas e Mãe.
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