Ante a impossibilidade de entregar picanha e cervejinha para a mesa do brasileiro, o Presidente Lula e a primeira-dama Janja resolveram inovar no cardápio: Paca marinada ao Alho em pleno almoço de Páscoa.

Entre panelas, temperos e uma pitada de curiosidade nacional, o almoço de Páscoa no Palácio presidencial ganhou um ingrediente digno de conversa de esquina e trending topic.
Sim, o cardápio presidencial resolveu fugir do previsível bacalhau e apostou em uma iguaria que, no Brasil, costuma ser mais rara que consenso político: Uma Paca.
Isso mesmo que você leu, uma Paca!
Janja, em gesto que mistura espontaneidade doméstica e estratégia digital, decidiu mostrar os bastidores do preparo — dois dias de Paca marinada com alho e ervas, como quem sugere que até a política, se bem temperada, pode amaciar.
Nas redes, o público reagiu entre risos, espanto e aquele inevitável comentário: “é paca mesmo ou é pegadinha de Páscoa?”.
No fim das contas, o episódio revela algo maior do que o prato em si: no Brasil, até o almoço presidencial vira narrativa — e, às vezes, com direito a molho, meme e debate à mesa.
Entre a picanha prometida em palanque e a paca temperada no alho que aparece na mesa do poder, há um intervalo curioso — não de sabor, mas de sentido.
A política brasileira, como um cardápio em eterna revisão, anuncia cortes nobres e entrega narrativas bem temperadas. O eleitor, esse comensal recorrente, aprende que entre o dito e o servido existe sempre um molho espesso chamado realidade.
“Prometer picanha é fácil; difícil é garantir o boi”, poderia ironizar um economista cansado de metáforas bovinas. Já o filósofo de botequim, com a sabedoria etílica que o país respeita, talvez acrescente: “a cervejinha até veio — morna, parcelada e com imposto incluso”.
E assim se desenha o banquete simbólico: a expectativa suculenta, a execução… criativa.
Nietzsche, se tivesse frequentado um churrasco eleitoral brasileiro, talvez revisasse sua célebre máxima: “torna-te quem tu és” para algo mais pragmático — “come o que te servem e interpreta depois”.
Porque, no fim, o cardápio não é apenas sobre comida; é sobre poder, linguagem e a arte quase teatral de transformar desejo coletivo em retórica palatável.
Byung-Chul Han advertiria que vivemos na era da encenação, onde até a escassez pode ser apresentada com estética gourmet.
A paca no alho, nesse contexto, não é apenas prato — é discurso. Um discurso que tenta sofisticar o improviso, enquanto o público, entre risos e resignação, mastiga a diferença entre o prometido e o possível.
E talvez reste ao brasileiro comum a mais honesta das conclusões, digna de inscrição em qualquer parede de cozinha: “a esperança é temperada, mas a realidade é de pressão”; duro, contentando-se, quem sabe, com uma pequena peça de coxão duro e ralando diuturnamente par evitar dormir no chão duro.
Porque, no fim das contas, como diria um anônimo frequentador de fila de açougue, “o problema nunca foi a picanha — foi acreditar que ela vinha com garantia de entrega”.


