
A função do ser humano) não é dada, é descoberta.
Desde que ergueu os olhos ao céu e perguntou “por quê?”, o ser humano deixou de ser apenas parte da natureza e tornou-se um ser em busca de sentido.
A vida, antes simples sobrevivência, tornou-se pergunta — e o próprio ser humano, a tentativa de resposta.
Para Aristóteles, sua função seria viver segundo a razão, realizando a plenitude daquilo que é.
Nietzsche, em contrapartida, o convoca à superação: o ser humano deve tornar-se o que é, ultrapassar-se, criar valores novos quando os antigos se esgotam.
E Viktor Frankl, herdeiro do sofrimento humano do século XX, afirma que o ser humano só encontra sua função quando encontra um porquê que o sustente, mesmo diante da dor e do absurdo.
O existencialismo nos lembra que não há um roteiro pronto.
O ser humano é condenado à liberdade, como diria Sartre — livre para criar a si mesmo, mas também responsável por aquilo que se torna.
Sua função, portanto, não é cumprir um papel fixo, mas esculpir o próprio destino, transformar o vazio em sentido, o caos em criação, o sofrimento em consciência.
O ser humano que compreende isso deixa de ser mero sobrevivente.
Passa a ser coautor da própria existência, ponte entre o finito e o eterno, entre o acaso e o propósito.
E talvez seja essa, afinal, a mais alta função do ser humano: evoluir em consciência — do instinto à razão, da razão ao amor, e do amor ao sentido.


