Levantamento nacional sobre a aprovação dos governadores revela um Brasil politicamente desigual, onde desempenho administrativo e percepção pública caminham lado a lado — nem sempre em harmonia.

O Analista Político Marcelo Melo Bastos publicou em suas redes sociais um ranking realizado pelo Instituto Veritás, no qual analisa a gestão dos estados brasileiros.
No topo, estados do Sul e Centro-Oeste concentram os maiores índices, com Paraná, Goiás e Santa Catarina liderando o ranking.
Em contraste, unidades mais populosas e complexas, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, aparecem apenas na faixa intermediária, refletindo maior pressão social e escrutínio político.
O Nordeste e o Norte surgem como territórios heterogêneos, alternando bons índices e sinais de desgaste, o que desafia leituras regionais simplistas.
No conjunto, os dados indicam um cenário de estabilidade relativa, sem colapsos acentuados, mas também sem hegemonias amplas.
Mais do que medir popularidade, o ranking expõe a delicada equação entre gestão, contexto econômico e narrativa — elementos que, juntos, moldam a confiança do eleitor e antecipam movimentos do tabuleiro político nacional.
O ranking sugere que aprovação não segue uma lógica puramente regional, mas combina fatores como economia local, perfil do gestor e capacidade de comunicação.
Como frequentemente observam cientistas políticos, “a aprovação é menos um retrato da realidade objetiva e mais um espelho da percepção coletiva” — ou seja, governa-se tanto com obras quanto com narrativas.
Confira o ranking:
1º PR – 84% (Ratinho Júnior)
O Paraná lidera com folga. Um índice dessa magnitude sugere forte controle narrativo e entrega percebida.
2º GO – 83% (Ronaldo Caiado)
Goiás consolida alta aprovação, indicando gestão estável e politicamente bem ancorada.
3º SC – 80% (Jorginho Mello)
Santa Catarina mantém padrão elevado, com foco pragmático na gestão.
4º MT – 79% (Mauro Mendes)
Mato Grosso reflete o peso do agronegócio na sustentação política.
5º ES – 77% (Renato Casagrande)
Equilíbrio fiscal e previsibilidade seguem como marcas do Espírito Santo.
6º PB – 70% (João Azevêdo)
A Paraíba se destaca no Nordeste com aprovação robusta.
7º RR – 69% (Antonio Denarium)
Roraima mantém boa aceitação, com menor exposição nacional.
8º PE – 62% (Raquel Lyra)
Pernambuco apresenta aprovação moderada, ainda em consolidação.
9º TO – 61% (Wanderlei Barbosa)
Tocantins segue estável, sem grandes oscilações.
10º SP – 57% (Tarcísio de Freitas)
São Paulo mostra aprovação mediana, reflexo da alta exigência do eleitorado.
11º MG – 56% (Romeu Zema)
Minas mantém estabilidade, mas sem entusiasmo expressivo.
12º SE – 56% (Fábio Mitidieri)
Sergipe permanece em zona de equilíbrio político.
13º MS – 55% (Eduardo Riedel)
Mato Grosso do Sul no limiar entre conforto e alerta.
14º AC – 54% (Gladson Cameli)
Acre já sinaliza zona de atenção.
15º MA – 53% (Carlos Brandão)
Maranhão apresenta leve desgaste.
16º PI – 54% (Rafael Fonteles)
Piauí com aprovação ajustada, suscetível a variações.
17º RJ – 55% (Cláudio Castro)
Rio de Janeiro mantém aprovação frágil diante de histórico de crises.
18º AP – 56% (Clécio Luís)
Amapá com estabilidade discreta.
19º PA – 57% (Helder Barbalho)
Pará em posição intermediária.
20º AL – 61% (Paulo Dantas)
Alagoas com aprovação consistente no contexto regional.
21º CE – 61% (Elmano de Freitas)
Ceará mantém governabilidade razoável.
22º RO – 62% (Marcos Rocha)
Rondônia com desempenho intermediário positivo.
23º BA – 63% (Jerônimo Rodrigues)
Bahia sustenta aprovação sólida apesar dos desafios estruturais.
24º RS – 65% (Eduardo Leite)
Rio Grande do Sul indica recuperação política.
25º DF – 66% (Ibaneis Rocha)
Distrito Federal apresenta desempenho acima da média.
26º RN – 71% (Fátima Bezerra)
Rio Grande do Norte entre os destaques positivos.
27º AM – 74% (Wilson Lima)
Amazonas fecha com alta aprovação.
Os dados sugerem que a aprovação, mais do que medir eficiência objetiva, traduz percepção social mediada por contexto econômico e capacidade política. Como se costuma observar na ciência política, governar é também disputar narrativas — e, nesse ranking, alguns o fazem com notável eficácia.
O ranking não apenas informa — ele revela um Brasil politicamente fragmentado, porém funcional.
Como já se argumentou na teoria democrática, “governar não é alcançar unanimidade, mas manter legitimidade suficiente para seguir decidindo”.
E, neste retrato, a maioria ainda governa — mas poucos, de fato, lideram.
Fonte: Instituto Veritàs e perfil no Instagram do Analista Marcelo Bastos.


