No tabuleiro político de Alagoas, as peças começam a se mover com mais intensidade e estratégia. O Prefeito JHC, enfim, começa a se movimentar.

O Prefeito de Maceió, JHC, vê o cenário mudar ao seu redor ao deixar o Partido Liberal e mirar novos caminhos rumo ao Executivo estadual.
Segundo informações reproduzidas na grande imprensa alagoana, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, alterou a estrutura partidária no estado, e destituiu JHC oficialmente do cargo com a extinção da Comissão Executiva Estadual Provisória do Partido Liberal em Alagoas.
Em ofício, Valdemar teria notificado JHC a não praticar quaisquer atos partidários usando a sigla Bolsonarista.
“Teria”, pois está tudo muito efêmero no momento.
Sem o apoio da base do PL — agora alinhada sob nova liderança —, o jogo ganha contornos mais desafiadores e imprevisíveis.
Dobrando a aposta – Em meio à crise com o PL, o Prefeito JHC subiu o tom e, finalmente, se posicionou acerca de sua atual condição política perante eleitores e partidários:
“Ninguém nos encabresta, porque aqui não tem etiqueta de vende-se. Eu trabalho para o povo, é a eles que eu devo satisfação. Se eu estiver bem com o povo, estou bem comigo mesmo, com a minha consciência.”
PSDB, será ? – Por outro lado, segundo informações prestadas pelo ex-Governador Teotônio Vilela ao Colunista Edvaldo Junior, JHC recebeu convite para ingressar no PSDB local com autonomia total ao Prefeito.
“Quando soube do impasse dele no PL, coloquei o partido à disposição. Conversei com Aécio Neves (presidente nacional do PSDB) e eles estiveram juntos em Brasília. Soube que a conversa foi muito boa e que o JHC ficou decidido a vir para o partido”, relatou o ex-governador Teotônio Vilela.
Agora, com um JHC sem apoio da base do PL — agora sob a rígida tutela do Deputado Estadual Cabo Bebeto —, agregado ao risco concreto de perda de mandato de toda base aliada de JHC no PL na Casa Mário Guimarães, o jogo ganha contornos mais desafiadores e imprevisíveis.
Entre mudanças partidárias, recados diretos e reconfigurações de poder, a disputa pelo governo promete ser marcada por reviravoltas, alianças redesenhadas e decisões que podem redefinir o rumo político do estado.
Na arena política, as alianças e os conchavos muitas vezes se apresentam como pontes necessárias, mas também como labirintos morais.
São mecanismos que, ao mesmo tempo em que viabilizam a governabilidade, podem aprisionar a ética em acordos silenciosos, onde o interesse coletivo cede espaço à manutenção do poder.
Como advertia Maquiavel, “os fins justificam os meios” — uma máxima frequentemente evocada, ainda que nem sempre confessada, nos bastidores das decisões políticas.
Contudo, essa engrenagem não é nova. Desde as antigas cidades-Estado, o poder se sustenta por pactos, concessões e trocas. Hannah Arendt lembrava que “o poder corresponde à capacidade humana não apenas de agir, mas de agir em conjunto”.
O problema, porém, surge quando esse “agir em conjunto” deixa de ser expressão da vontade popular e passa a ser apenas um arranjo entre poucos, distanciado da sociedade que deveria representar.
É nesse contexto que a ideia de candidaturas avulsas surge como um sopro de renovação possível.
Ao permitir que indivíduos concorram sem a obrigatoriedade de filiação partidária, abre-se uma fresta para que a política volte a dialogar mais diretamente com a consciência e a responsabilidade pessoal. Não se trata de negar a importância dos partidos, mas de reconhecer que eles, por vezes, se tornam estruturas rígidas, mais preocupadas com sua própria sobrevivência do que com o bem comum.
Jean-Jacques Rousseau já alertava que “a soberania não pode ser representada; ela consiste essencialmente na vontade geral”.
As candidaturas independentes, nesse sentido, podem funcionar como instrumentos de reaproximação entre o cidadão e o poder, reduzindo a intermediação excessiva e, quem sabe, enfraquecendo os conchavos que obscurecem a transparência democrática.
Ainda assim, é preciso cautela: nenhuma forma, por si só, garante virtude. O problema não reside apenas nas estruturas, mas na natureza humana que as ocupa.
A verdadeira transformação, portanto, exige não apenas novos mecanismos, mas uma profunda revisão de valores. Entre alianças que sustentam e acordos que corrompem, a política segue sendo o reflexo daquilo que somos enquanto sociedade.
E talvez o maior desafio não seja apenas reformar o sistema, mas cultivar uma consciência coletiva que compreenda que o poder, em sua essência, só encontra legitimidade quando служe — e não quando se serve.


