Em tom de alerta e sob a perspectiva de quem já esteve no comando da Força Aérea Brasileira, o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior traça um diagnóstico aterrorizante sobre a defesa nacional.

Entre críticas ao baixo investimento e reflexões sobre os abalos institucionais recentes, o ex-comandante aponta para uma “luz vermelha” acesa diante das rápidas transformações no cenário global.
“Arrisco dizer que, em muitos aspectos, as forças individualmente têm mais poder do que o próprio Ministério da Defesa”, alertou Baptista.
A fala combina preocupação estratégica e memória política, ao defender a urgente reestruturação do sistema de defesa do país em um momento de crescentes incertezas.
Um país que negligencia suas Forças Armadas caminha sobre um terreno invisivelmente instável: pode até parecer seguro em tempos de calmaria, mas torna-se vulnerável quando os ventos da história mudam de direção.
A ausência de uma estrutura minimamente preparada não é apenas uma fragilidade militar — é, sobretudo, uma fragilidade existencial do próprio Estado, que perde parte de sua capacidade de proteger, dissuadir e afirmar sua soberania.
Thomas Hobbes já advertia que, sem a garantia de segurança, a vida tende a se aproximar de um estado de incerteza permanente, onde “o homem é o lobo do homem”.
Em escala internacional, essa máxima ressurge sob novas formas: na geopolítica, não há vazio — há espaço ocupado por interesses. Um país despreparado não apenas deixa de se defender; ele se expõe à influência, à pressão e, em cenários extremos, à submissão.
Mais do que instrumentos de guerra, Forças Armadas estruturadas representam um elemento de equilíbrio. São, paradoxalmente, um fator de paz. Como ensinava Sun Tzu, “a suprema arte da guerra é vencer sem combater” — e isso só é possível quando há capacidade real de dissuasão.
Sem ela, resta ao país a esperança frágil de que conflitos não o alcancem, como se a ausência de preparo fosse, por si só, uma estratégia.
Nesse contexto, o risco maior não é apenas externo. Internamente, a falta de preparo pode gerar insegurança institucional, desorganização em crises e incapacidade de resposta diante de emergências que extrapolam o campo militar, como desastres naturais ou ameaças híbridas.
Um Estado enfraquecido em sua defesa tende a projetar essa fragilidade em todas as suas estruturas.
Assim, pensar as Forças Armadas não é exaltar o conflito, mas reconhecer a condição humana e histórica das nações:


