Na caminhada existencial, frequentemente nos deparamos com situações em que o que nos parece certo revela-se frágil, enquanto aquilo que julgávamos duvidoso se impõe com força irrefutável.

Essa inversão desafia nossa razão e desnuda a instabilidade daquilo que tomamos como verdade.
Zygmunt Bauman, ao tratar da modernidade líquida, lembra que “num mundo de incertezas, a segurança é uma ilusão confortável” — e é exatamente nesse ponto que o “certo” se desmancha no ar.
Já o “duvidoso”, que por sua própria natureza admite a complexidade, muitas vezes se revela mais autêntico, pois carrega em si a abertura ao inesperado e à mudança.
Nietzsche provocava: “Não há fatos, apenas interpretações”. O que se crê certo hoje pode desmoronar sob nova perspectiva amanhã.
E o que ontem se rejeitava como incerto pode, com o tempo, ganhar contornos de sabedoria.
Viver, portanto, é aprender a habitar o entre-lugar — onde o certo não é tão firme e o duvidoso não é mero erro, mas possibilidade.
É na tentação da certeza que habita nosso desejo inconsciente de mantemo-nos aprisionados às nossas mais íntimas e remotas fragilidades existenciais.
No terreno da dúvida, ao menos mantemo-nos despertos e assumimos as rédeas de nossas vontades; nao sucumbindo à vontade dos outros.
O nome disso? M A T U R I D A D E!
A maturidade existencial talvez consista em acolher esse paradoxo: é na dúvida que muitas vezes habita a verdade, e na certeza que frequentemente mora o engano.
E viver no engano ou se enganando, venhamos e convenhamos, definitivamente não gera verdadeiros ganhos…


