O programa Roda Viva desta segunda-feira (13) recebeu o embaixador Rubens Barbosa, que, com a experiência de ter chefiado as representações brasileiras em Washington e Londres, apresentou uma análise crítica sobre a crise das instituições multilaterais e os efeitos dos conflitos armados na economia global e na soberania do Brasil.

O programa discutiu como o país deve se posicionar em um cenário internacional cada vez mais instável e quais caminhos diplomáticos podem ser adotados diante das incertezas.
Durante a entrevista, Barbosa destacou a importância do acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao tráfico internacional de armas e drogas, classificando-o como modelo.
O embaixador alertou, no entanto, para a necessidade de evitar tensões desnecessárias com os norte-americanos:
“Esse acordo feito com os Estados Unidos é modelo, a gente tem que negociar com eles para evitar a imposição unilateral. Para isso, a gente não pode provocar os Estados Unidos”, afirmou.
A bancada reúne nomes de peso do jornalismo e da academia, como Flávia Marreiro, Alberto Gaspar, Carlos Dias, Maurício Savarese, Luciana Coelho e Denilde Holzhacker, com ilustrações do cartunista Eduardo Baptistão.
A diplomacia raramente se apresenta com a imponência das armas, mas quase sempre opera com eficácia mais duradoura. Ela não é a negação do poder — é a sua forma mais refinada, onde a força se traduz em linguagem, gestos e silêncios calculados.
O que não se impõe pela violência, muitas vezes se consolida pela persuasão. E, nesse terreno, quem domina a palavra frequentemente antecipa o resultado do conflito.
Hans Morgenthau, um dos principais pensadores do realismo político, advertia que “a diplomacia é a arte de combinar os diferentes elementos do poder nacional para a realização dos objetivos da política externa”.
Não há ingenuidade nesse processo: negociar é, antes de tudo, reconhecer limites e explorar fragilidades — próprias e alheias. A mesa de negociação, ao contrário do que sugere o idealismo, não é um espaço de igualdade, mas um palco onde assimetrias são apenas disfarçadas.
A diplomacia, portanto, revela uma verdade incômoda: o poder não desaparece quando se civiliza — ele se torna mais sutil, mais estratégico e, por vezes, mais implacável. Estados que aparentam cordialidade podem, na essência, apenas substituir o confronto direto por formas mais sofisticadas de imposição.
Como observou Henry Kissinger, “a diplomacia é a arte de conter o poder”. Mas conter não significa eliminar — significa administrá-lo com inteligência, timing e, sobretudo, interesse.
Há, nesse jogo, uma dimensão existencial: na ausência de um árbitro global efetivo, cada nação negocia não apenas vantagens, mas a própria preservação de sua autonomia.
A diplomacia, nesse sentido, não é escolha — é condição de sobrevivência. Entre a guerra e o silêncio, ela se impõe como linguagem inevitável de um mundo onde o poder jamais se ausenta, apenas muda de forma.


