
Por Simone Pontes
Todos nós falamos muito sobre amor: amor de pai, de mãe, de irmãos, de amigos, entre marido e mulher. Existem diversas formas de amar.
Para alguns, amar é estar presente; para outros, manifesta-se por atitudes; há, ainda, quem acredite que apenas dizer “eu te amo” seja suficiente.
Para cada um de nós, o amor se revela de maneiras distintas.
Muitos chegam a afirmar que “matam e morrem por amor”, que abrem mão da própria profissão ou até da própria vida em nome dele. Há também quem aceite tudo sob a justificativa do amor.
Mas, quando se aceita tudo, não é amor — é dependência.
Há pais que fazem tudo pelos filhos em nome do amor.
Não apenas fazem, como também permitem tudo: comportamentos inadequados, erros recorrentes e, em casos mais graves, chegam a acobertar atitudes injustas. Tudo parece justificável quando se afirma: “foi por amor”.
Mas que amor é esse?
Amar implica respeito, cuidado e responsabilidade.
O amor não fere, não anula consequências, não exige que alguém se apague, nem justifica injustiças.
Muitas vezes, o que se chama de amor é, na verdade, dependência, ausência de limites, culpa ou até sentimento de posse.
Podemos observar isso, com clareza, em dois tipos de relação: entre pais e filhos e entre casais.
Quando os pais permitem tudo, acabam negligenciando o próprio papel.
Amar também é orientar, corrigir, educar e, por vezes, frustrar. Nem tudo o que um filho deseja deve ser concedido.
Da mesma forma, em um relacionamento amoroso, desrespeito e abuso não são provas de amor — são formas de aprisionamento emocional.
O amor verdadeiro protege, mas não aprisiona.
Cuida, mas não controla. Respeita os próprios limites e os do outro. Entrega-se, mas não se destrói.
Porque amar não é dizer “sim” a tudo — é saber, com coragem, quando dizer “não”.
E talvez a maior prova de amor não esteja em permitir tudo, mas em ter maturidade para impor limites.
Quem ama de verdade educa, orienta e, acima de tudo, não se omite diante do que fere, do que destrói ou do que desvia.
Aceitar tudo não é amar — é perder a si mesmo.
E o amor verdadeiro nunca exige esse preço.
Sobre a Autora:
Simone Pontes é formada em Direito, Advogada, Administradora de Empresas e Mãe.
*Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus Autores e não representam, necessariamente, a linha editorial ou a visão do O Magistral. O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Todos os direitos reservados.


