
Quando o básico precisa ser cobrado, algo essencial já se perdeu no caminho.
Carinho, atenção, cuidado, amor , essas não são coisas que deveriam nascer de pedidos insistentes, nem de lembretes constantes.
São gestos que, quando verdadeiros, surgem de forma espontânea, quase natural, como quem respira sem precisar pensar.
Precisar pedir o mínimo cansa. Machuca de um jeito silencioso, porque não é apenas sobre o gesto em si, mas sobre o que ele representa: presença, interesse, importância. Quando isso falta, a pessoa começa a se questionar. “Será que eu estou pedindo demais?” “Será que eu não sou suficiente?”
E, pouco a pouco, o que antes era só uma ausência vira insegurança, tristeza e até um sentimento de rejeição.
Quem se vê nessa posição muitas vezes age tentando consertar: fala, explica, pede mais uma vez, tenta ser compreensivo.
Mas, no fundo, existe um desgaste. Porque amor que precisa ser constantemente lembrado começa a parecer obrigação , e obrigação não acolhe, não aquece, não sustenta.
Diante disso, o mais importante é olhar para si. Entender que querer o básico não é exigir demais.
É reconhecer o próprio valor. E agir com coerência: comunicar com clareza, sim, mas também observar atitudes. Palavras podem prometer, mas é o comportamento que revela a verdade.
Se, mesmo depois de expressar o que sente, nada muda, talvez a resposta já esteja ali.
E, por mais difícil que seja, escolher não aceitar menos do que o essencial também é uma forma de amor , principalmente amor-próprio.
Sobre a Autora:
Simone Pontes é formada em Direito, Advogada e Administradora de Empresas.
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