Em tempos de holofotes acesos e vaidades infladas nas arenas do poder, uma voz destoante emerge da mais alta Corte do país: o Ministro do STF, André Mendonça. Pasmem: 06 em cada 10 brasileiros dizem não confiar no trabalho e nos ministros do STF.

Nesta sexta-feira (20), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, fez um chamado à sobriedade institucional ao lembrar que a toga não é palco, nem o juiz protagonista de espetáculo.
“Todos nós ali somos importantes, os 11 – hoje 10, mas as 11 cadeiras – com a sua devida importância e com a sua devida responsabilidade. Ao mesmo tempo, registrar que não tenho a pretensão de ser salvador de nada”, deixou claro André Mendonça.
Com linguagem direta e carregada de senso humano, Mendonça defendeu que o verdadeiro papel do magistrado reside no equilíbrio, na responsabilidade e na consciência de suas próprias limitações — longe da tentação de estrelismo que, por vezes, contamina o exercício da autoridade.
Ao invocar sua fé cristã, reforçou a ideia de humildade diante da imperfeição humana, destacando que errar é possível, mas persistir no erro é inadmissível.
“Bom juiz não é estrela”, mas alguém que cumpre o dever com senso de responsabilidade. “Como eu sou cristão, peço que julgue da forma certa, reconhecendo que não somos perfeitos”.
Entre decisões difíceis e o peso das consequências, o ministro resgatou um princípio simples e, ao mesmo tempo, poderoso: decidir é dever; corrigir, obrigação.
Em sentido diametralmente oposto, o Ministro Alexandre de Moraes, recebeu elogios por parte do Presidente do STF, Edson Fachin e do Ministro decano, Gilmar Mendes, segundo o qual “o Brasil “tem uma dívida” com Alexandre de Moraes”; classificando as críticas ao colega como “retórica política dos acusados”, em meio ao desgaste da Corte após menções a ministros no caso do Banco Master.
Levantamento da AtlasIntel/Estadão aponta que 60% dos brasileiros dizem não confiar no trabalho e nos ministros do STF, enquanto 34% declaram confiar.
(Clique e confira a pesquisa)
Em um cenário onde a omissão pode ser tão danosa quanto o excesso, a fala do ministro André Mendonça ecoa como um lembrete incisivo de que justiça não se faz com aplausos, mas com consciência.
Há uma tentação silenciosa que ronda o exercício do poder: a de confundir a função com a figura, o dever com o ego, a Justiça com aquele que a pronuncia.
No entanto, o Direito — essa construção coletiva, histórica e imperfeita, mas essencial — não admite protagonistas humanos acima de si. Ele não foi feito para brilhar em alguém, mas para se realizar através de alguém.
O juiz, nesse cenário, não é estrela, mas instrumento. Não é autor da norma, mas seu intérprete; não é dono da verdade, mas servidor de um sistema que o transcende. Quando a toga se converte em palco, o processo deixa de ser caminho de equilíbrio e passa a ser arena de vaidades.
E, como advertia Montesquieu, “os juízes da nação são apenas a boca que pronuncia as palavras da lei; seres inanimados que não podem moderar nem sua força, nem seu rigor”.
É precisamente nessa contenção que reside a grandeza.
O magistrado que compreende sua limitação engrandece o Direito, porque se submete a ele. Já aquele que busca protagonismo desloca o eixo da Justiça para si mesmo — e, ao fazê-lo, fragiliza a própria ideia de imparcialidade.
O processo não é espetáculo. É rito. É garantia. É espaço onde o Direito deve falar mais alto que qualquer voz individual.
E, por isso, a verdadeira autoridade do juiz não está em ser visto, mas em ser fiel — fiel à lei, aos princípios, e à consciência de que, no enredo da Justiça, o único protagonista legítimo é o próprio Direito.


