
A Semana Santa é um momento muito especial para os Cristãos de uma forma geral.
É um período de profundos simbolismo e reflexão acerca da Vida, Obra e Evangelho de Jesus Cristo, o expoente maior do Cristianismo, bem como sua intersecção com nossa breve realidade existencial.
Santo Agostinho nos ensina que “a Verdade, permanecendo sempre a mesma em si, nem aumenta quando é mais bem vista por nós, nem diminui quando é menos vista, mas, sendo integra e inalterável, alegra com sua luz todos os que se voltam para ela e castiga com a cegueira os que dela se afastam”.
A Semana Santa tem inicio num Domingo, também conhecido como “Domingo de Ramos”, que retrata a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, montado num burrinho e sendo ovacionado pela população com ramos de palmeiras e óleo perfumado em franca homenagem à sua imagem, persona e autoridade.
Quem poderia imaginar que após apenas 05 dias, no Domingo Pascoal, esse mesmo Jesus Cristo estaria – aviltado, humilhado, desfigurado e crucificado por este mesmo povo – na cruz dos homens?!
Afinal, de que valem as honrarias dos homens ante a vontade de Deus?
Na segunda-feira, Jesus Cristo nos revela toda sua autoridade eclesiástica ao adentrar ao Templo de Jerusalém e expulsar aqueles que comercializavam a palavra de Deus.
“Minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de ladrões” (Mateus 21:13).
A face mais humana de Jesus Cristo, finamente retratada em um justificável e compreensivo comportamento virulento, demonstrando a importância de termos posições firmes e inegociáveis ante às corrupção moral que assola e avilta nosso cotidiano social.
Normalizar o anormal não é normal!
Na Terça-feira, o momento de confrontação de Jesus Cristo com as ditas “Autoridades Eclesiásticas”; oportunidade em que ele lança mão de parábolas – Dos dois filhos (Mateus 21:28-32); Dos vinhateiros maus (Mateus 21:33-46) e Das bodas (Mateus 22:1-14) – para tentar equalizar e unificar o entendimento celestial – a Verdade – à parca, corrompida e limitada compreensão humana.
O alerta de Jesus restou bem claro: Aí de vós, Escribas e Fariseus…
Já adentrando à Quarta-feira, conhecida com a “Quarta-feira das Trevas”, o momento crucial em que Judas Iscariotes literalmente sucumbe ao poderio econômico social e, cumprindo seu propósito existencial, entrega sua alma em troca da vida de Jesus Cristo…e parcas 30 moedas!!!
O espelho da fraqueza humana retratado no Egoísmo, na Ganância e na Traição, recebendo de Jesus Cristo o silêncio sepulcral que antecede o vindouro calvário que se avizinha.
O que temos negociado em nossas vidas sob as vestes do sangue, do suor e das lágrimas do Filho de Deus? Compreendemos e estamos compreendendo o seu silêncio? E o que temos feito com o nosso próprio silêncio?
A Quinta-feira Santa marca o início do chamado Tríduo Pascal – o coração da Semana Santa. É um dia muito rico em simbolismo e profundamente comovente na liturgia cristã.
A realização da Santa Ceia e a consequente instituição e celebração da Eucaristia: o Corpo (pão) e o Sangue (vinho) de Cristo; o ato de lavagem dos pés dos Discípulos e, por fim, o retiro e transubstanciação no Monte das Oliveiras.
A consagração de toda a intensidade e magnitude da paixão de Cristo pela Vida, apontando na Comunhão, Humildade e Desfiguração o verdadeiro chamado para vivenciarmos e experimentarmos toda a Humanidade que deve acender e ascender no coraçã, na alma e na mente de cada um de nós.
A Sexta-feira Santa é o ápice da Semana Santa — um momento profundo de silêncio, luto e contemplação do incompreensível e misterioso amor de Deus, revelado na inevitável e inadiável entrega de seu Filho à cruz dos homens.
“Pai, por que me abandonaste?”, e suspirou Jesus.
O véu do templo rasga e o céu escurece — sinais de que o mundo mudou com a morte de Cristo. Ainda que marcado pela dor, o dia carrega esperança: a morte não é o fim.
Apenas um novo começo…
Por fim, chegamos ao Sábado; também chamado de Sábado de Aleluia — o dia do grande silêncio e da espera. Ele é um momento de transição entre a dor da crucificação e a alegria da ressurreição.
Na Vigília Pascal – a mãe de todas as celebrações, a chama de Jesus reacende e reascende a esperança dos cristãos para uma nova Vida.
A vitória da luz sobre as trevas; da vontade de Deus (potência de Deus) sobre as nossas ilusórias e fugazes vontades; da submissão de nossas mais avassaladoras e recônditas Paixões à integridade e solidez de nossa Razão; esta, sim, a Razão, como vértice e eixo central da formação de nosso Caráter.
Parafraseando as cirúrgicas e consagradas palavras de Jesus, “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida!“
Com o fim da Semana Santa, o recomeço de mais uma jornada de Esperança, Força e Fé na certeza indissolúvel e indelével de que toda nossa breve passagem existencial é fruto de um propósito singular, individual, intransferível e indescritível, compondo um caleidoscópio de energias, sintonias e sinergias vocacionadas à realização de algo intangível e bem maior; porém, ironicamente tangível, palpável e bem à frente de nossos olhos!
Basta acreditar, confiar, querer, buscar, pegar, guardar…e aguardar!!!
Essa é a Vontade de Deus!


