Afinal, o que é ser um Político?

O verdadeiro político — seja republicano, democrata, liberal ou conservador — é, antes de tudo, um guardião da vontade popular.

Reconhece, com razão e com alma, que a origem de todo poder é o povo, como lembrou Rousseau: “A soberania não pode ser representada; a vontade não se aliena.”

Respeita as leis, não por conveniência, mas por consciência — pois nelas habita a voz viva da coletividade.

Bobbio nos recorda: “O poder legítimo é aquele controlado pelo consentimento dos governados.”

O político digno entende que o voto é um ato de confiança — um pacto silencioso entre esperança e responsabilidade.

Serve, não domina.

Age, mas pondera.

Crê, mas questiona.

E quando o tempo eleitoral chega, não semeia ódio, mas argumento e proposta.

Sabe que criticar e ser criticado é parte do amor à polis, e propor é servir ao bem comum.

Qualquer um que se afaste desses princípios revela o que Arendt chamaria de degeneração moral do político: “Onde todos mentem sobre tudo o tempo todo, o resultado não é que se acredite nas mentiras, mas que ninguém acredita em mais nada.”

Assim, o verdadeiro político reconhece, respeita, confia, critica e propõe — sempre em nome da soberania moral e racional do povo.

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