O livro “II Antologia Jurídica Alagoana” foi lançado nesta sexta-feira (27), no Fórum de Arapiraca, reunindo produções literárias de 20 escritores, entre juristas, servidores, estudantes e jornalistas. Obra reúne juristas, servidores, estudantes e jornalistas e presta homenagem ao procurador Vanilton Pereira Viana.

O lançamento da “II Antologia Jurídica Alagoana”, no Fórum de Arapiraca, transcende o gesto formal de reunir textos e autores: trata-se de um movimento simbólico de ampliação do próprio pensamento jurídico.
Segundo a Diretoria de Comunicação – Dicom do Tribunal de Justiça em Alagoas, “a iniciativa busca evidenciar a interface entre o universo jurídico e a escrita criativa, com textos que transitam por gêneros como poesia, crônicas e outras formas de expressão”.
Um dos organizadores da obra, o Juiz de Direito Claudemiro Avelino de Souza, que também é historiador, destacou que o projeto nasce do reconhecimento de que a literatura também integra o cotidiano de quem atua no sistema de Justiça.
“Os operadores do Direito também costumam escrever poesia e crônicas. E aí nós decidimos elaborar esta obra, reunindo poesias e textos de pessoas do Direito. O conteúdo tem a mesma tônica da primeira ontologia”, explicou Claudemiro.
Ao congregar juristas, servidores, estudantes e jornalistas em torno da escrita criativa — poesia, crônicas e outras formas de expressão — o evento reafirma que o Direito não se sustenta apenas na técnica, mas na sensibilidade.
Desenvolver o pensamento jurídico implica reconhecer que julgar é também interpretar vidas. E quem aprende a narrar com profundidade aprende, igualmente, a decidir com consciência.
O pensamento jurídico, quando reduzido à literalidade normativa, corre o risco de se tornar árido e distante da experiência humana que pretende regular.
Como advertia Miguel Reale, o Direito é fato, valor e norma — uma síntese dinâmica entre realidade social, juízo axiológico e estrutura normativa.
A literatura, ao iluminar os dramas humanos e os dilemas éticos, fortalece precisamente essa dimensão valorativa, refinando o olhar de quem interpreta e aplica a lei.
A interface entre Direito e escrita criativa também dialoga com a compreensão de Luis Alberto Warat, para quem o jurista precisa romper com a rigidez excessiva da dogmática e abrir espaço à imaginação crítica.
Warat defendia que o Direito sem poesia tende à insensibilidade; sem afeto, transforma-se em mera engrenagem burocrática. Ao incentivar a produção literária no ambiente forense, a Antologia promove esse exercício de humanização do operador do Direito.
Além disso, a iniciativa reafirma o que Hannah Arendt apontava sobre a importância da palavra no espaço público.
Para Arendt, é pelo discurso que o ser humano se revela e constrói o mundo comum.
Ao trazer a literatura para dentro do Fórum, o evento desloca o Direito de um pedestal técnico e o reinsere na arena da linguagem viva, onde se constroem sentidos, narrativas e responsabilidades.
Em um tempo marcado pela velocidade das decisões e pela pressão por produtividade, o cultivo da escrita literária funciona como ato de resistência intelectual.
Escrever poesia ou crônica exige pausa, escuta e reflexão — virtudes essenciais à maturação do pensamento jurídico.
A Antologia, portanto, não é apenas um livro; é um espaço de formação ética e estética.
Desenvolver o pensamento jurídico implica reconhecer que julgar é também interpretar vidas. E quem aprende a narrar com profundidade aprende, igualmente, a decidir com consciência.
Nesse sentido, a “II Antologia Jurídica Alagoana” representa mais que um evento cultural: é um convite à construção de um Direito mais sensível, crítico e, sobretudo, humano.


