Em meio às repercussões envolvendo o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado defendeu nesta quarta-feira (13) a manutenção da unidade entre os setores da centro-direita brasileira para as eleições presidenciais de 2026.

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, Caiado afirmou que divergências internas não podem comprometer o objetivo político de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas.
“Não podemos deixar que o centro-direita se divida. Não sou oportunista”, disse Caiado. “Nós precisamos, mais do que nunca, fazer com que a centro-direita brasileira não se divida, não rompa essa unidade para que possamos, aí sim, aquilo que é o fundamental, derrotar o PT e o Lula nas urnas no segundo turno”, declarou Caiado.
A declaração ocorre em um momento de crescente tensão e rearranjo nos bastidores da oposição.
O episódio evidencia como escândalos, disputas narrativas e estratégias de sobrevivência política seguem influenciando alianças, discursos e movimentações antecipadas no cenário eleitoral brasileiro.
A palavra “estratégia” carrega, em sua origem, muito mais do que simples planejamento. Derivada do grego strategía, ela nasce da junção de stratos (exército) e agein (conduzir, liderar). Inicialmente, o termo designava a arte de comandar tropas em tempos de guerra.
Contudo, ao longo da história, a estratégia deixou os campos de batalha e passou a ocupar praticamente todos os espaços da experiência humana: política, economia, diplomacia, comunicação, esportes e até relações pessoais.
O historiador militar Basil Liddell Hart definia estratégia como “a arte de distribuir e aplicar meios para alcançar objetivos políticos”.
A definição revela algo essencial: grandes vitórias raramente pertencem apenas à força bruta.
Elas normalmente são resultado de cálculo, paciência, percepção psicológica do adversário e capacidade de antecipar movimentos futuros.
Sun Tzu, autor de A Arte da Guerra, talvez tenha produzido uma das reflexões mais influentes da história sobre estratégia ao afirmar que “a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”.
Mais do que exaltação do conflito, a frase representa compreensão profunda da inteligência estratégica: vencer não significa necessariamente destruir, mas neutralizar riscos, conquistar posições e preservar recursos.
A história da civilização está repleta de exemplos em que a estratégia superou limitações aparentemente insuperáveis.
Alexandre, o Grande, construiu um dos maiores impérios da Antiguidade utilizando velocidade, surpresa e leitura psicológica dos adversários.
Júlio César atravessou o Rubicão consciente de que determinados movimentos estratégicos carregam riscos irreversíveis — mas também potencial de transformação histórica.
Séculos depois, Napoleão Bonaparte elevaria a estratégia militar a um nível quase científico, combinando mobilidade, comunicação rápida e domínio emocional das tropas.
Já Winston Churchill compreendeu, durante a Segunda Guerra Mundial, que estratégia não se limitava ao campo militar: envolvia narrativa pública, resistência psicológica nacional e construção de alianças internacionais.
Na política contemporânea, a estratégia tornou-se ainda mais sofisticada.
O cientista político Joseph Nye explica que poder moderno depende não apenas de força econômica ou militar, mas também de soft power — a capacidade de influenciar percepções, valores e emoções coletivas. Em democracias de massa, vence muitas vezes quem melhor compreende o imaginário popular.
O marqueteiro político Philip Kotler observava que campanhas bem-sucedidas funcionam como grandes operações estratégicas de posicionamento emocional. Não basta possuir propostas; é necessário construir identidade, narrativa e conexão simbólica com a sociedade.
O eleitor raramente escolhe apenas racionalmente — ele também reage a sensações de confiança, pertencimento e esperança.
O cientista político Niccolò Maquiavel já advertia, no Renascimento, que governantes incapazes de compreender o tempo histórico acabam derrotados pela própria ingenuidade.
Estratégia, nesse sentido, não é manipulação vulgar, mas capacidade de adaptação inteligente às circunstâncias humanas e sociais.
Existe ainda uma dimensão profundamente existencial na estratégia.
O filósofo Ortega y Gasset afirmava que “o homem é ele e sua circunstância”.
Estratégia nasce justamente da tentativa humana de lidar racionalmente com limites, obstáculos e incertezas da vida. Todo indivíduo, consciente ou não, desenvolve estratégias emocionais, profissionais e sociais para sobreviver às pressões do mundo.
O problema surge quando sociedades confundem estratégia com oportunismo vazio.
O sociólogo Zygmunt Bauman observava que tempos líquidos produzem decisões impulsivas e imediatistas. Estratégias verdadeiramente eficazes, porém, exigem visão de longo prazo, disciplina emocional e capacidade de suportar pressões momentâneas sem abandonar objetivos centrais.
No fundo, grandes vitórias históricas raramente foram obra do acaso. Elas normalmente nasceram da combinação entre inteligência, leitura do contexto, preparo psicológico e capacidade de agir no momento exato.
Porque força sem direção frequentemente produz caos. Mas estratégia — quando guiada por lucidez, responsabilidade e visão histórica — transforma limitações em oportunidades e obstáculos em caminhos de conquista.
E talvez seja justamente isso que torna a estratégia tão fascinante: ela representa a tentativa humana de impor racionalidade ao imprevisível, transformando incerteza em possibilidade e sobrevivência em realização histórica.


