O líder supremo Ali Khamenei está morto. O aiatolá comandou o Irã há quase quatro décadas com mão de ferro e reprimiu opositores com força. Presidente dos EUA afirmou que ataques continuarão nos próximos dias.

O governo do Irã confirmou na noite deste sábado (28) que o líder supremo Ali Khamenei foi morto em seu gabinete durante o ataque dos Estados Unidos e Israel. O escritório e residência dele ficava no edifício Beit-e Rahbari, no centro da capital Teerã.
Em comunicado divulgado pela agência estatal de notícias Mehr, o governo iraniano rebateu as alegações históricas de que Khamenei vivia escondido por medo de ser assassinado por forças estrangeiras.
“Seu martírio em seu local de trabalho comprovou mais uma vez a falsidade dessas alegações e da guerra psicológica do inimigo, demonstrando que ele sempre esteve entre o povo e na linha de frente da responsabilidade, resistindo destemidamente e corajosamente à arrogância”, diz o informe publicado pela agência.
Ali Khamenei era líder supremo do Irã desde 1989, quando sucedeu o Aiatolá Khomeini. Anteriormente, ele também foi presidente do Irã de 1981 a 1989.
Bem mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia anunciado em sua rede social que o líder supremo do Irã estava morto.
“Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para pessoas de muitos países ao redor do mundo que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e seu bando de capangas sanguinários. Ele não conseguiu escapar de nossos sistemas de inteligência e de rastreamento altamente sofisticados e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes mortos junto com ele, pudessem fazer.
Este é o maior momento para o povo iraniano retomar o próprio país. Estamos ouvindo que muitos integrantes da Guarda Revolucionária (IRGC), das Forças Armadas e de outras forças de segurança e polícia já não querem lutar e estão buscando imunidade de nossa parte. Como eu disse ontem à noite: ‘Agora eles podem ter imunidade; depois, terão apenas a morte!’
Esperamos que a Guarda Revolucionária e a polícia se unam pacificamente aos patriotas iranianos e trabalhem juntos para devolver ao país a grandeza que merece. Esse processo deve começar em breve, já que não apenas Khamenei morreu, mas o país foi, em apenas um dia, amplamente destruído e até mesmo arrasado.
Os bombardeios intensos e precisos, no entanto, continuarão sem interrupção ao longo da semana ou pelo tempo que for necessário para alcançar nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”.
Donald Trump, em post em seu perfil na Truth Social.
O presidente Donald Trump afirmou hoje que os Estados Unidos atacarão o Irã “com uma força nunca antes vista” caso o país continue com seu plano de retaliação.
A morte anunciada de um líder não encerra apenas uma biografia; inaugura um vácuo.
Quando o presidente dos Estados Unidos declara, em tom de sentença moral, que o aiatolá Ali Khamenei “está morto” e que isso representa “justiça”, o mundo não escuta apenas um fato — escuta um posicionamento ético e geopolítico.
No Oriente Médio, onde poder, fé e memória histórica se entrelaçam, a morte de uma liderança simbólica pode significar tanto alívio quanto combustão.
Hannah Arendt advertia que “a violência pode destruir o poder; é absolutamente incapaz de criá-lo”.
A eliminação de um adversário pode satisfazer anseios imediatos de revanche, mas não substitui as estruturas políticas que sustentam estabilidade.
Regimes não se dissolvem com a morte de seus líderes; frequentemente se radicalizam, reorganizam-se ou fragmentam-se.
O risco não é apenas a retaliação externa, mas a disputa interna por sucessão, capaz de tensionar facções militares, religiosas e civis, ampliando a incerteza regional.
Samuel Huntington lembrava que “o choque de civilizações” não nasce apenas de diferenças culturais, mas da percepção de ameaça e humilhação.
Em contextos já marcados por rivalidades sectárias e disputas estratégicas, a narrativa de martírio pode fortalecer discursos extremados e alimentar ciclos de revanche.
A estabilidade do Oriente Médio depende menos da eliminação de figuras e mais da construção de canais diplomáticos que impeçam que o simbolismo da morte se converta em combustível ideológico.
Por outro lado, como sustenta Francis Fukuyama, “a estabilidade política moderna depende da força das instituições”.
Se houver transição institucional organizada, com contenção das forças armadas e mediação internacional responsável, a crise pode converter-se em oportunidade de reconfiguração política.
Caso contrário, o vazio tende a ser ocupado pelo medo — e o medo raramente constrói pontes.
Filosoficamente, a morte de um líder confronta o mundo com a fragilidade do poder humano. Nenhuma autoridade é eterna; nenhuma hegemonia é absoluta.
A pergunta decisiva não é quem caiu, mas que projeto de futuro se erguerá em seu lugar.
Entre celebrações e lamentos, permanece a responsabilidade coletiva de impedir que a história repita sua pedagogia trágica.
A verdadeira justiça, se existe, não se mede pela queda de um homem, mas pela capacidade das nações de transformarem conflito em convivência.


