Em entrevista ao Metrópoles, Hugo Motta avaliou que a condução do processo pelo magistrado seguiu os parâmetros institucionais previstos e considerou que houve “exagero de parte da mídia e no geral” nas críticas direcionadas ao relator.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou-se nesta quinta-feira (26/2) em defesa da atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no caso envolvendo o Banco Master.
Segundo o parlamentar, a análise do caso deve ser feita com base nos autos e nos fundamentos jurídicos apresentados, evitando interpretações precipitadas ou politizadas.
A declaração ocorre em meio à repercussão nacional do episódio, que mobilizou setores do Judiciário e do Congresso.
Ao sair em defesa de Toffoli, Motta reforçou a importância de preservar o equilíbrio entre os Poderes e de assegurar que decisões judiciais sejam avaliadas sob critérios técnicos, e não sob pressão do debate público.
Instituições fortes não são aquelas que nunca erram, mas as que enfrentam seus próprios erros com transparência.
O corporativismo, quando ultrapassa os limites da legítima solidariedade profissional, converte-se em uma sombra sobre as instituições.
A proteção mútua, que em sua origem deveria resguardar a autonomia e a dignidade de funções essenciais ao Estado, pode degenerar em blindagem acrítica, onde o pertencimento passa a valer mais que a verdade.
Nesse cenário, a autoridade deixa de ser moral e passa a ser meramente formal; a estabilidade torna-se aparência; e a credibilidade, um discurso sustentado por muros, não por fundamentos.
Montesquieu advertia que “todo homem que detém poder tende a abusar dele; vai até onde encontra limites”.
O corporativismo, ao dissolver esses limites internos, enfraquece o sistema de freios e contrapesos que sustenta a legitimidade institucional.
Quando membros de uma estrutura priorizam a autopreservação coletiva em detrimento da transparência e da responsabilidade, instala-se um pacto silencioso que corrói a confiança pública.
A sociedade percebe — ainda que intuitivamente — quando a defesa institucional se confunde com autoproteção.
Hannah Arendt lembrava que “a autoridade perdeu seu fundamento na tradição e na religião”, restando-lhe a legitimidade construída pela ação responsável e pela confiança. Instituições não se sustentam apenas por normas escritas, mas por um ethos compartilhado.
Se esse ethos é capturado por interesses internos, o elo invisível entre autoridade e reconhecimento social se rompe.
O resultado é a erosão lenta, porém profunda, da credibilidade — e nenhuma instituição sobrevive por muito tempo desacreditada.
O risco maior não está apenas nos atos isolados, mas na cultura que os naturaliza.
Como ensinava Alexis de Tocqueville, “a força das instituições livres reside nos costumes”.
Se os costumes passam a tolerar o encobrimento, a complacência ou a defesa automática dos seus, a estabilidade institucional transforma-se em rigidez defensiva, incapaz de autocrítica.
E sem autocrítica não há renovação, apenas decadência disfarçada de coesão.
Preservar a autoridade legítima exige coragem ética: a disposição de reconhecer falhas, responsabilizar desvios e distinguir solidariedade de conivência.
Instituições fortes não são aquelas que nunca erram, mas as que enfrentam seus próprios erros com transparência.
Somente assim a autoridade permanece respeitada, a estabilidade torna-se real e a credibilidade deixa de ser retórica para converter-se em patrimônio público.


