Além das penas privativas de liberdade, o colegiado estabeleceu o pagamento de indenizações aos familiares das vítimas e decretou a perda dos cargos públicos ocupados pelos condenados.

Na mesma sessão, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, foi inocentado da acusação de ter participado como mandante dos crimes. Ainda assim, ele foi condenado por obstrução de Justiça e por corrupção passiva qualificada.
A condenação dos responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes ultrapassa a dimensão jurídica e alcança o campo ético da existência coletiva.
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Quando o Estado reconhece a autoria e impõe sanções, reafirma-se um princípio civilizatório fundamental: a vida humana não pode ser reduzida a instrumento de poder. A justiça tardia não apaga a violência, mas sinaliza que a memória resiste e que a ordem democrática não pode se curvar ao medo.
Hannah Arendt advertia que “a violência pode destruir o poder; jamais pode criá-lo”. O crime político tenta silenciar vozes e reconfigurar o espaço público pela intimidação. Contudo, ao serem julgados, os fatos retornam ao debate público como afirmação de que a política deve se sustentar na palavra e na legitimidade — não na eliminação do outro.
Sob a ótica existencial, o episódio recorda a reflexão de Albert Camus de que “a verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente”. A resposta institucional a um crime dessa natureza é também um gesto dirigido às próximas gerações: demonstra que a sociedade escolhe preservar valores, mesmo diante da brutalidade.
Por fim, como ensinava Norberto Bobbio, “a democracia é o regime do poder visível”. Julgar e tornar públicos os atos e suas consequências é reafirmar que nenhuma autoridade está acima da lei. Em meio à dor, permanece a convicção de que a justiça, ainda que imperfeita, é um dos instrumentos pelos quais a humanidade tenta reconciliar-se consigo mesma.


