O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira 19, na reunião inaugural do seu Conselho da Paz, que o Irã precisa chegar a um “acordo significativo” em suas negociações com os EUA nos próximos dez dias, caso contrário “coisas ruins acontecerão”.

Por outro lado, “os Estados Unidos não buscaram o enriquecimento zero de urânio durante as negociações nucleares em Genebra nesta semana, e o Irã não se ofereceu para suspendê-lo”, afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, nesta sexta-feira (20).
A eventual eclosão de uma guerra entre Estados Unidos e Irã não representaria apenas um confronto militar regional, mas um abalo estrutural na arquitetura da geopolítica mundial.
O Oriente Médio, historicamente tensionado por disputas energéticas, religiosas e estratégicas, tornar-se-ia novamente o epicentro de uma instabilidade capaz de irradiar efeitos econômicos, diplomáticos e humanitários em escala global.
O preço do petróleo oscilaria, cadeias de suprimento seriam afetadas e alianças seriam testadas — revelando a fragilidade do equilíbrio internacional.
Thomas Hobbes advertia que, na ausência de freios institucionais eficazes, “o homem é o lobo do homem”.
No plano internacional, onde inexiste uma autoridade soberana acima dos Estados, essa máxima ganha contornos dramáticos.
A lógica do medo e da dissuasão pode transformar divergências políticas em confrontos armados. Contudo, reduzir o cenário à inevitabilidade do conflito seria ignorar a capacidade humana de razão e prudência estratégica.
Hannah Arendt lembrava que “a violência pode destruir o poder; é absolutamente incapaz de criá-lo”.
Uma guerra entre potências assimétricas poderia gerar ganhos táticos momentâneos, mas dificilmente consolidaria estabilidade duradoura.
Ao contrário, abriria espaço para atores não estatais, radicalizações internas e rearranjos geopolíticos imprevisíveis, inclusive com o envolvimento indireto de Rússia e China, alterando o eixo de influência global.
Sob a perspectiva do realismo político, como ensinou Hans Morgenthau, “a política internacional é uma luta pelo poder”.
A verdadeira grandeza das nações não se mede apenas pela capacidade de vencer guerras, mas pela sabedoria de evitá-las.
Ainda assim, poder não é apenas força bélica; é também legitimidade, capacidade diplomática e construção de consensos.
Em um mundo interdependente, a guerra não é apenas um risco militar, mas um fracasso civilizacional.
Diante desse cenário, impõe-se uma reflexão existencial: que tipo de ordem internacional desejamos sustentar?
A história demonstra que conflitos redefinem fronteiras, mas também redefinem consciências.
A verdadeira grandeza das nações não se mede apenas pela capacidade de vencer guerras, mas pela sabedoria de evitá-las.
Em tempos de tensão, a coragem mais transformadora pode ser a da diplomacia — porque preservar a paz é, antes de tudo, afirmar a dignidade humana como valor supremo da política global.


