O sargento das forças especiais dos Estados Unidos, Gannon Ken Van Dyke, passou de peça-chave em uma operação internacional a alvo da Justiça federal.

Preso nesta quinta-feira (23), ele é acusado de lucrar mais de US$ 400 mil em apostas financeiras baseadas na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.
Segundo o Departamento de Justiça, Van Dyke teria explorado informações sigilosas para antecipar o desfecho da ação, realizando apostas horas antes do anúncio oficial.
A movimentação, considerada atípica no mercado de previsões Polymarket, levantou suspeitas imediatas e desencadeou uma investigação que se estendeu por meses.
As autoridades apontam que o militar apostou cerca de US$ 33 mil em 13 operações estratégicas, utilizando conhecimento privilegiado para obter vantagem indevida — um caso que tensiona os limites entre segurança nacional, ética militar e especulação financeira.
Proibição no Brasil – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta sexta-feira (24) uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que proíbe os chamados mercados preditivos.
O chamado mercado preditivo consiste em plataformas de negociação baseadas em eventos reais futuros. Entre os exemplos estão apostas sobre resultados de eleições, previsão do tempo, morte de personalidades e desfechos de programas de entretenimento, como reality shows. Atualmente, a legislação brasileira permite apenas apostas esportivas e jogos on-line, tornando qualquer outra modalidade de predição irregular.
Ficam bloqueadas 28 plataformas que fazem a oferta e a negociação, em plataformas de contratos vinculados a eventos esportivos, jogos on-line e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento.
A ética profissional não é um adereço do ofício; é sua espinha dorsal silenciosa.
Quando o indivíduo se desloca do plano abstrato dos valores para o terreno concreto das decisões, é a ética que opera como bússola — não para evitar erros, mas para orientar escolhas em meio à ambiguidade inevitável do mundo real. Sem ela, a técnica se torna instrumento cego; com ela, o trabalho adquire densidade moral e sentido humano.
Aristóteles já advertia que “somos aquilo que repetidamente fazemos”, sugerindo que a excelência não reside em atos isolados, mas em hábitos orientados por virtude. No ambiente profissional, isso se traduz na constância de agir corretamente mesmo quando ninguém observa — ou, sobretudo, quando todos observam, mas poucos ousam contrariar o conveniente.
Kant, por sua vez, eleva a exigência ao afirmar que o homem deve agir de tal forma que sua conduta possa ser erigida em lei universal. A ética, então, deixa de ser mera escolha pessoal e passa a ser compromisso com a própria ideia de humanidade.
Contudo, a modernidade tensiona essa bússola.
Em um mundo que frequentemente recompensa resultados acima de princípios, a ética é testada não pela ignorância, mas pela conveniência.
É nesse ponto que Hannah Arendt alerta para a “banalidade do mal”, ao demonstrar que grandes desvios morais podem nascer da simples abdicação de pensar — ou pior, da decisão consciente de não questionar.
A ética profissional exige, portanto, mais do que conhecimento normativo: requer vigilância interior, coragem e responsabilidade.
No fim, exercer uma profissão sem ética é como navegar com instrumentos precisos, porém sem direção. Pode-se até avançar, mas nunca saber se o destino alcançado ainda pertence ao território do humano.


