
Há momentos em que a Escritura afirma que Deus “endurece o coração” ou “cega os olhos” de alguns.
À primeira vista, isso soa como crueldade. Mas, no fundo, trata-se do mistério entre a liberdade humana e a pedagogia divina.
O endurecimento não nasce de um Deus tirano, mas da recusa do homem em abrir-se à luz.
Quando alguém insiste em viver fechado em si mesmo, Deus, em sua justiça, apenas permite que colha as consequências dessa escolha.
O que chamamos de “cegar” é, muitas vezes, o não querer ver; o que chamamos de “endurecer” é o apego obstinado à própria vontade.
Santo Agostinho lembrava que “Deus não faz o coração mau, apenas o deixa no estado em que ele mesmo se colocou”.
E Pascal dizia: “Há luz suficiente para aqueles que desejam ver, e escuridão suficiente para aqueles que não querem”.
Assim, o mistério da graça e da liberdade se revela: Deus oferece a todos a possibilidade de conversão, mas não força o coração.
Quem se abre, vê; quem se fecha, endurece.
O que parece castigo é, em verdade, uma forma de respeito divino diante da escolha humana.


