
A insatisfação nasce como um sussurro — um leve desconforto que se instala entre o peito e o pensamento.
É o momento em que a alma percebe que a vida, tal como está, já não lhe serve como abrigo integral.
É uma rachadura interna por onde entra luz, como dizia Leonard Cohen, mas também um abismo que nos chama a olhar para dentro.
Nietzsche via nela o impulso vital que empurra o espírito para o alto — a recusa a se contentar com o chão.
Viktor Frankl a interpretaria como a dor de estar desconectado de um sentido.
Søren Kierkegaard a chamaria de angústia da possibilidade: esse vazio fértil de onde surgem novas escolhas.
Carl Jung diria que a insatisfação é o mensageiro sombrio do inconsciente, exigindo integração.
E os místicos lembrariam que ela é, muitas vezes, apenas saudade: saudade daquilo que ainda não somos, mas devemos nos tornar.
A insatisfação, quando reprimida, se envenena. Torna-se amargura, cinismo, autossabotagem.
Quando acolhida, se transforma em bússola.
No fundo, ela não quer destruir nossa paz — quer apenas revelar que essa paz era pequena demais para aquilo que estamos destinados a viver.
É um convite:
– a sair da repetição que entorpece,
– a abandonar o que já não faz sentido,
– a reconstruir-se quando tudo parece estreito,
– a ousar quando o medo pede estabilidade.
Há em cada insatisfação uma semente de futuro: pequena, incômoda, pulsante.
Quando a escutamos, descobrimos que ela não anuncia o fim de algo, mas o início de um caminho novo.
E assim a existência se move: de inconformismo em inconformismo, de fenda em fenda, até que aprendamos que crescer é, essencialmente, deixar-se incomodar pelo chamado de si mesmo que verdadeiramente importa; e jamais nossas ilusões!
Afinal: Lutar para mudar ou lutar para preservar?
Mudar para preservar ou preservar para mudar?
Cada escolha, uma luta…e cada luta, uma mudança.
Para abraçar e acolher a tão almejada e inebriante PAZ!
Essa, SIM, deve SEMPRE ser PRESERVADA!


