Um encontro fora da agenda, sem registros oficiais e cercado de discrição, movimentou os bastidores da política alagoana.

Segundo informações do blog do Edivaldo Júnior, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, teria se reunido em caráter reservado com o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), em um apartamento no bairro da Jatiúca.
A reunião, que não contou com a presença de outras lideranças, ocorre em meio a uma série de compromissos políticos de Edinho no estado, incluindo encontros com o governador Paulo Dantas (MDB) e dirigentes partidários.
Publicamente, o dirigente petista reforçou a articulação para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas, nos bastidores, interlocutores apontam que a aproximação com JHC integra uma estratégia mais ampla.
Em declarações recentes, Edinho sinalizou interesse direto no diálogo com o ex-prefeito, destacando a intenção de trazê-lo para o campo político de Lula.
Há, ainda, especulações sobre um possível acordo firmado anteriormente, cuja natureza não foi detalhada, mas que pode estar relacionado a movimentos recentes de reposicionamento político de JHC.
Fake News ? – Em postagem em suas redes sociais, o vereador Kelmann Vieira enquadrou a notícia como sendo mais uma Fake News:
“Nunca houve encontro no apartamento e muito menos houve e nem haverá acordo com PT! JHC é independente e não há interlocutores! Seu contato é direto com o povo”, assegurou o apoiador.
No entanto, o principal interessado e único capaz de esclarecer os fatos, o ex-prefeito JHC, calado estava, calado ficou e calado continua.
Até quando?
Só o tempo dirá…
O episódio adiciona novos elementos ao cenário local, indicando que alianças e definições para 2026 começam a ganhar forma — ainda que, por ora, longe dos holofotes.
Na política, os acordos não são meros arranjos de conveniência — são, ou deveriam ser, a própria argamassa da confiança pública.
Sem eles, o discurso vira névoa; com eles, ainda que imperfeitos, constrói-se a previsibilidade mínima necessária para que a sociedade não caminhe às cegas.
Hannah Arendt observou que “a política baseia-se no fato da pluralidade humana”, e é justamente dessa pluralidade que nasce a necessidade do compromisso: ninguém governa sozinho, ninguém representa tudo.
O acordo, portanto, não é fraqueza — é reconhecimento da realidade. É o ponto em que vontades divergentes se encontram para evitar o colapso do coletivo.
Mas há um detalhe incômodo: acordos só têm valor quando são cumpridos.
Do contrário, tornam-se moeda podre.
Maquiavel, frequentemente mal interpretado, advertia que “os homens devem ser ou bem tratados ou aniquilados” — uma frase dura que, no fundo, revela algo essencial: a quebra de compromissos gera ressentimento, instabilidade e, por fim, desordem.
Na política contemporânea, romper acordos não aniquila adversários, mas corrói algo talvez mais grave — a credibilidade.
Nietzsche, ao analisar a moral, apontou que a capacidade de prometer é uma das marcas da civilização: “criar um animal que pode fazer promessas — não é essa a tarefa paradoxal que a natureza se impôs?”. Na política, essa capacidade deveria ser elevada à sua forma mais responsável. Prometer, cumprir e sustentar a palavra dada são atos que distinguem o estadista do oportunista.
Quando compromissos são honrados, mesmo entre adversários, estabelece-se um raro capital simbólico: a confiança.
E confiança, como ensinou Zygmunt Bauman, é o antídoto contra a liquidez das relações modernas — inclusive as políticas. Sem ela, tudo se dissolve em cálculo imediato, em alianças descartáveis, em discursos que valem apenas até a próxima conveniência.
No fim, a credibilidade política não nasce da retórica, mas da coerência entre o que se diz e o que se faz.
Acordos são promessas institucionalizadas.
Cumpri-los não é apenas estratégia — é uma forma de respeito à inteligência coletiva.
Descumpri-los, por outro lado, é ensinar ao eleitor que a palavra pública vale menos que o silêncio.
E, quando isso se torna regra, a política deixa de ser espaço de construção e passa a ser território de desconfiança crônica — onde ninguém acredita, mas todos ainda fingem negociar.


