
Por Simone Pontes
Uma expressão que parece contraditória, mas que carrega uma realidade muito comum. O que leva uma mulher a dizer que vive uma solidão acompanhada? Uma metáfora que merece reflexão.
Seria culpa do companheiro? Ou seria dela?
Na verdade, talvez não existam culpados, mas sim escolhas, circunstâncias e caminhos que, muitas vezes, vão sendo aceitos ao longo da vida sem que se percebam suas consequências.
A partir do momento em que a mulher passa a pensar mais em si mesma, buscando seu equilíbrio mental, cuidando do seu físico — que, além de ser uma questão de saúde, também a faz sentir-se bonita e atraente — e trabalhando para sentir-se útil e realizada, ela passa a estar no momento certo para dividir sua vida com alguém.
Isso porque, quando uma mulher está em paz consigo mesma, com sua autoestima fortalecida e sua independência financeira, ela não procura alguém que a complete, mas alguém que lhe acrescente. Simplesmente porque ela já está inteira.
Nos dias atuais, embora pareça estranho, ainda existem mulheres que se casam e acabam se acomodando diante da vida. Muitas vezes isso acontece porque seus maridos não permitem que trabalhem fora, que tenham seu próprio círculo de amizades ou até que frequentem uma academia.
No início, ela não percebe que, aos poucos, vai se tornando prisioneira de um relacionamento abusivo. Talvez por amar demais o companheiro, talvez por imaturidade ou até por acreditar que aquela vida “tranquila” seja suficiente.
Mas o que parecia tranquilo pode, mais tarde, transformar-se em um verdadeiro pesadelo.
Ela só percebe quando o vazio se instala e então se dá conta de que perdeu anos de sua vida em prol de um relacionamento que, em vez de fazê-la crescer, acabou por diminuí-la.
Não foram exatamente escolhas conscientes. Muitas vezes foram imposições que ela foi aceitando em nome da relação, acreditando que estava fazendo o melhor para manter a família.
Seja qual for o motivo que levou essa mulher a permanecer nessa situação delicada, em algum momento ela perceberá que, mesmo tendo alguém ao seu lado, ainda assim se sente profundamente sozinha.
Um dia, os filhos seguirão seus próprios caminhos e a casa ficará silenciosa. Restarão apenas os dois.
É nesse momento que ela começa a sentir falta de pequenas coisas, mas que têm grande significado: uma conversa, um incentivo, um gesto de carinho, alguém que realmente a escute.
Então ela percebe que o marido tem seu trabalho, seus amigos, seus almoços de sexta-feira, seus grupos de WhatsApp e suas viagens de negócios. Enquanto isso, ela se vê cada vez mais isolada.
Com o tempo, o que já era distante pode se tornar ainda pior: falta de atenção, de carinho e, em alguns casos, até de respeito.
É nesse instante que ela percebe algo doloroso: durante todos aqueles anos, ajudou o companheiro a crescer, enquanto ela própria ficou parada no tempo.
Procura uma amiga para conversar e não encontra. Vai fazer compras e sente que precisa justificar cada gasto. Começa a enxergar-se como gorda, velha, feia ou inútil.
E o pior pensamento pode surgir: a sensação de que sua vida está vazia e de que talvez seja tarde demais para recomeçar.
Assim nasce a solidão acompanhada.
Ela está ao lado de alguém, mas sente-se completamente só. Porque aquele que ajudou a moldar ao longo dos anos já não a admira, não lhe dá atenção, carinho e, principalmente, respeito.
Por tudo isso, mulher, viva na sua inteireza.
Não permita que ninguém transforme ou limite o seu jeito de viver. Todos nós temos coragem, força e inteligência suficientes para conduzir nossas próprias vidas.
Quem ama de verdade não prende, não sufoca e não faz o outro abrir mão de si mesmo.
Quem ama ajuda a voar, incentiva o crescimento, celebra as conquistas e faz do outro uma prioridade.
Não se deixe para depois. O momento de viver é agora.
Uma mulher pode ser mãe, esposa e profissional ao mesmo tempo, sem perder sua doçura ou sua sensibilidade. Pelo contrário: quando se sente realizada, exerce todos esses papéis com ainda mais sabedoria e plenitude.
Uma mulher inteira não precisa apenas de um corpo presente ao seu lado, mas de uma alma presente. Alguém que a ame, que a respeite, que saiba ouvi-la, aconselhá-la e, acima de tudo, valorizá-la.
Cabe a cada mulher reconhecer se ainda vale a pena lutar para salvar um relacionamento ou se já não há mais nada que possa ser feito.
E, se a segunda opção for a escolha, que ela tenha a certeza de que nada é melhor do que sua própria companhia. Porque o amor-próprio deve ser sempre o primeiro amor.
Sobre a Autora: Simone Pontes é formada em Direito, Advogada, Administradora de Empresas e Mãe.
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