O antigo Mercado da Produção, um dos espaços mais tradicionais de Maceió, começa a ganhar novos contornos após anos marcado pelo abandono.

Em visita às obras nesta quarta-feira (11), o prefeito JHC, acompanhado da primeira-dama Marina Candia, apresentou os avanços da primeira etapa de revitalização do equipamento público localizado no bairro da Levada.
Segundo o prefeito, a intervenção busca resgatar a importância histórica do mercado ao mesmo tempo em que moderniza sua estrutura.
O projeto prevê climatização, reorganização dos boxes e melhorias na infraestrutura, mantendo elementos arquitetônicos originais, como os tradicionais arcos do prédio.
A proposta, de acordo com a gestão municipal, é transformar o antigo cenário de degradação em um espaço mais digno e confortável para permissionários e consumidores que frequentam o tradicional mercado público da capital alagoana.
A cidade revela sua alma na forma como cuida dos seus espaços coletivos.
Mercados públicos, praças, escolas e hospitais não são apenas estruturas de concreto; são, na verdade, manifestações materiais do pacto social que sustenta a vida em comunidade.
Quando o poder público investe na recuperação e qualificação desses ambientes, não está apenas reformando paredes, mas restaurando a dignidade cotidiana das pessoas que ali trabalham, circulam e constroem suas histórias.
O ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, costumava afirmar que “uma cidade avançada não é aquela onde até os pobres andam de carro, mas aquela onde até os ricos usam o transporte público.”
A frase revela uma verdade profunda sobre gestão pública: políticas urbanas e equipamentos coletivos de qualidade elevam o padrão de vida de todos, sobretudo dos que mais dependem da cidade para viver e sobreviver.
Da mesma forma, o urbanista e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, lembrava que “a cidade não é o problema; a cidade é a solução.”
Para ele, cada intervenção urbana — por menor que pareça — possui um potencial transformador capaz de reconfigurar relações sociais, econômicas e culturais.
Sob essa perspectiva, a revitalização de mercados públicos e de outros equipamentos urbanos assume um significado que ultrapassa o campo da engenharia ou da arquitetura. Trata-se de um gesto político no sentido mais nobre da palavra: organizar o espaço comum para que a vida floresça com mais justiça, dignidade e pertencimento.
No fim das contas, governar bem uma cidade talvez seja isso: compreender que cada obra pública, quando pensada para as pessoas, é também uma obra silenciosa de humanidade.
Afinal, como ensinava Ulysses Guimarães, “a política não deve ser a arte de dominar, mas a arte de servir.” E servir, no âmbito da cidade, é criar condições para que todos possam viver melhor dentro dela.


