O instituto Real Time Big Data divulgou nesta terça-feira (3) uma nova pesquisa de intenções de voto para presidente da República nas eleições de 2026. A pesquisa foi encomendada pela Record.

Foram apresentados um cenário espontâneo e três estimulados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente das intenções de voto em todos os cenários de primeiro turno em que aparece.
A pesquisa também apresentou possibilidades de confrontos no segundo turno, todos com a presença de Lula. O petista lidera em cinco dos sete cenários, mas aparece tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL) e com Ratinho Junior (PSD).
A fotografia atual sugere vantagem do incumbente, mas o filme até 2026 dependerá da economia, da articulação política e da capacidade de cada campo em construir narrativas que dialoguem com um eleitorado ainda dividido e atento aos rumos do país.
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As primeiras sondagens para a eleição presidencial de 2026 começam a desenhar um cenário de polarização persistente, mas com sinais de rearranjos no tabuleiro político. Pesquisa recente aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera em cinco dos sete cenários testados.
No entanto, aparece em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), em simulações específicas de segundo turno — um dado que revela tanto a resiliência do petismo quanto a reorganização do campo conservador.
Para a cientista política Maria do Socorro Braga, professora da UFSCar, “liderar em cenários múltiplos indica manutenção de base eleitoral consolidada, mas o empate técnico revela teto de crescimento e forte rejeição em segmentos estratégicos do eleitorado”.
Segundo ela, pesquisas realizadas com quase dois anos de antecedência captam mais a fotografia do momento do que uma projeção definitiva, mas são úteis para identificar tendências.
O desempenho de Flávio Bolsonaro sugere que o bolsonarismo, mesmo após os reveses institucionais enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mantém capital político relevante. “O eleitorado conservador permanece mobilizado e tende a se reorganizar em torno de nomes que simbolizem continuidade ideológica”, analisa o cientista político Carlos Melo, do Insper. Nesse contexto, Flávio herda parte do capital simbólico do pai, embora enfrente o desafio de ampliar seu alcance para além do núcleo mais fiel.
Já Ratinho Junior desponta como alternativa competitiva no campo da centro-direita. Com perfil mais moderado e discurso voltado à gestão, ele pode atrair eleitores que buscam estabilidade econômica e menor radicalização.
Para a professora Cláudia Teixeira, da FGV, “Ratinho representa uma direita pragmática, que tenta dialogar com o mercado e com setores médios urbanos, podendo romper a lógica binária que marcou as últimas disputas”.
Os cenários projetados para 2026 passam por variáveis decisivas: desempenho da economia, controle da inflação, evolução do emprego, além da capacidade do governo de recompor alianças no Congresso. A avaliação da gestão federal será determinante para consolidar ou corroer a vantagem inicial do petista.
Outro fator relevante é o grau de fragmentação das candidaturas. Caso o campo conservador se divida entre múltiplos nomes, Lula tende a ampliar sua margem no primeiro turno. Por outro lado, uma candidatura unificada à direita pode tornar o segundo turno altamente competitivo, como indicam os empates técnicos já registrados.
Para o cientista político Leonardo Barreto, “a eleição de 2026 pode marcar a transição de uma disputa personalista para um embate mais programático, dependendo da capacidade dos candidatos de apresentarem projetos econômicos claros diante do cenário fiscal delicado”. Ele ressalta que o eleitorado brasileiro tem demonstrado sensibilidade crescente a temas como responsabilidade fiscal, crescimento e políticas sociais eficientes.
Em síntese, embora o presidente lidere na maioria dos cenários testados, os empates técnicos indicam uma disputa aberta.
A fotografia atual sugere vantagem do incumbente, mas o filme até 2026 dependerá da economia, da articulação política e da capacidade de cada campo em construir narrativas que dialoguem com um eleitorado ainda dividido e atento aos rumos do país.


