A Avenida Paulista voltou a ser palco de mobilização política neste domingo (1º/3), quando grupos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro promoveram o primeiro grande ato público do campo bolsonarista em 2026.

A manifestação reuniu apoiadores em torno de uma pauta múltipla: revisão das penas impostas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, concessão de prisão domiciliar a Bolsonaro, críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pedidos de impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O protesto ocorre em um contexto sensível para o movimento, marcado pela recente prisão do ex-presidente na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, e pela consolidação do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo grupo político.
A manifestação também sinaliza uma tentativa de reorganização das bases e de reafirmação de protagonismo após a mudança no cenário jurídico e eleitoral.
Apesar da unidade em torno das principais reivindicações, divergências internas vieram à tona quanto ao grau de enfrentamento ao STF. Parte dos organizadores defende um discurso mais contundente contra a Corte, enquanto outra ala avalia que a estratégia deve priorizar a ampliação do diálogo com setores moderados do eleitorado.
O impasse revela uma disputa sobre os rumos do movimento e sobre a melhor forma de capitalizar politicamente o atual momento.
Com discursos inflamados e faixas espalhadas ao longo da via, o ato reforçou a permanência da polarização no debate público nacional.
Foi ele, Dias Toffolli, quem iniciou o inquérito das fake news. Não tem como ter a esposa de um ministro com contrato de milhões com o Banco Master. (…) Eu sei que há também uma vontade da esquerda de até derrubar o Toffoli, porque eles estão brigados. Eles estão achando que a gente pode derrubar um e depois vai parar. Se a gente derrubar um, cai outro, cai [Alexandre] Moraes, cai todo mundo. O destino do Alexandre de Moraes não é impeachmet. O destino dele é cadeia”.
Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG)
Ao mesmo tempo, indica que o cenário político segue em ebulição, com manifestações de rua ainda desempenhando papel relevante na estratégia de mobilização e pressão institucional.
Em Alagoas, o ato “Fora Lula, Moraes e Toffoli”, foi realizado no corredor Vera Arruda, no bairro Stella Maris, em Maceió, com uma caminhada em caminhada rumo ao Marco dos Corais, na praia de Ponta Verde.
A mobilização também ocorreu em outras cidades do país, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, reunindo manifestantes que criticam o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação na Avenida Paulista, ao recolocar o bolsonarismo nas ruas após a prisão do ex-presidente, projeta efeitos relevantes para a disputa presidencial de 2026.
A polarização permanece como eixo estruturante do pleito, mas o resultado final deverá ser determinado pela disputa pelo eleitor indeciso — tradicionalmente menos ideológico e mais sensível a questões como economia, segurança e estabilidade política.
O ato cumpre dupla função: manter mobilizada a base mais fiel e testar a capacidade de transferência de capital político para novas lideranças, como o senador Flávio Bolsonaro.
Movimentos dessa natureza funcionam como “instrumentos de coesão simbólica”, sobretudo em momentos de adversidade judicial.
Ao transformar decisões do Judiciário em pauta política, o grupo reforça a narrativa de perseguição e consolida um discurso identitário que tende a manter cerca de um terço do eleitorado fortemente engajado. Esse núcleo duro pode ser decisivo para levar um candidato ao segundo turno, ainda que não seja suficiente, por si só, para garantir vitória.
As eleições presidenciais no Brasil são vencidas no centro do espectro político. Sob essa perspectiva, o tom adotado contra o STF pode produzir efeito ambivalente: energiza a militância, mas dificulta pontes com eleitores moderados, sensíveis à estabilidade institucional. O desafio estratégico do campo bolsonarista, portanto, será equilibrar mobilização e moderação.
Atos de rua em defesa de anistia ou revisão de penas podem tensionar o debate democrático e influenciar a agenda pública, deslocando o foco da disputa para temas institucionais e judiciais, em vez de propostas econômicas e sociais.
Isso pode beneficiar tanto a oposição, ao manter viva a crítica ao sistema, quanto o governo, que tende a explorar o discurso da defesa das instituições.
Em síntese, o impacto eleitoral de 2026 dependerá menos do volume das manifestações e mais da capacidade de conversão desse engajamento em alianças amplas.
A polarização permanece como eixo estruturante do pleito, mas o resultado final deverá ser determinado pela disputa pelo eleitor indeciso — tradicionalmente menos ideológico e mais sensível a questões como economia, segurança e estabilidade política.


